1 de fevereiro de 2012
My Life
Bom, olá meu nome é Esther e esse aqui é meu
quase diário, quase vida, enfim é um pouco de tudo. Caramba, não é fácil
falar assim mas só estou fazendo esse diário pra ver se melhoro minhas
notas em Redação que estão péssimas. Outro motivo é passar no
vestibular, porque essa matéria conta ponto pra caramba e quero passar
na USP sendo que isso é quase impossível para uma aluna mediana como eu.
E adivinha? Amanhã é o meu primeiro dia no 3° ano e
não conheço ninguém e tudo graças a minha mãe que inventou de mudar de
cidade logo no ano mais decisivo da minha vida. Outra coisa ruim é que
estou prestes a completar 17 anos e ainda nem sei o que é beijar de
verdade, caraca como eu posso fazer isso? Eu tenho 16 anos já deveria
era ta namorando... Mas pior do que isso é meus amigos que ficaram para
trás. Porém, isso tem umas vantagens, posso recomeçar tuuudo de novo e
ninguém me conhece.. Ok, tou cansada e super ansiosa pra aula de amanhã.
Até
amanhã querido diário.
“Ok, Esther agora é só se deitar você já fez tudo que
podia e nada vai fazer voltar o pesadelo, tente dormir” É o que sempre
digo pra mim, estou tão cansada mas meu corpo insisti em pensar em
coisas nada agradáveis. Separações, brigas, será que não podem
simplesmente desaparecer?
- Esther, pode
descer querida? Tenho uma surpresa pra você
-Tou
indo mãe- O que será agora?
A sala está
inacabada mas até que está um pouco charmosa. Agora é assim, só eu e
minha mãe, meu irmão ficou com meu pai e trocamos de casa todo fim de
semana. Essa é a parte divertida da separação, ter duas casas.
- Feche os olhos querida.
-
Ok, mãe .. Estão fechados – Forço um sorriso
-
Pode abrir
Ai minha nossa, ai minha nossa, um
carro?? Eu ganhei um carro?? É isso mesmo?Um New Beatle estava bem ali na minha frente. Era preto e com detalhes pratas(sempre foi o carro que mais desejei na vida).
-
Mãe esse carro é meu?- Meu coração bate forte agora
- Claro que não, lembra que você não tem idade
suficiente?- Tava bom demais pra ser verdade- Esse carro é nosso e é com
ele que vou te levar para escola amanhã e falando nisso já está na hora
de dormir, né mocinha?
Então subi e voltei
pra minha cama e não adianta quanto tempo demore mas vou fechar meus
olhos e dormir.
“With the
lights out it's less dangerous here we are now entertain us”
Meu despertador começou a tocar, eu não queria levantar, ainda eram umas 6
horas, maldita escola.
“I feel stupid and contagious here we are now
entertain us”
Ok, Esther
tá na hora de acordar, vamos se force a sair da cama e desligar esse
despertador antes que você comece a odiar Nirvana.
- Esther, querida, já levantou?- Até quando minha mãe
vai ficar me chamando de querida?
- Já mãe.
Meu quarto é até que bonitinho, ele tem meu
notebook onde coloquei uma capa dos Guns N’ Roses, meu quarda-roupa é
novo e caro pois meus pais queriam me “agradar” para eu não sentir tanto
a separação( mas na verdade acho que eles queriam me comprar
mesmo), minha cama é grande e espaçosa mas é só o que tem no quarto por
enquanto. Ainda pretendo comprar posters e outras coisas. Enfim, agora
vou me levantar e ir para o banheiro.
“All the small things, true care truth brings”
Legal, meu primeiro sms:
“ Amiga tou morrendo de saudades, como ta tudo aí? Hoje é o
primeiro dia de aula, né? O meu foi ontem.. Espero notícias .. Beijos
Sarah”.
Droga, odeio chorar mas
a saudade está grande..
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- Você não vai embora
-Sarah, eu tenho que ir, meus pais
estão se separando e mãe quer mudar de cidade.. Por favor não torne isso
mais difícil
- Eu
não posso deixar você ir.. Caramba, você é minha melhor amiga- Seus
olhos se enchem de lágrimas
- Ai amiga- Nos abraçamos e começamos a
chorar desesperadamente
Quando
lembro do dia em que contei a Sarah que eu iria embora, dá um aperto no
coração. Nunca quis que aquilo acontecesse, eu amava minha cidade, meus
amigos, minha vida e meu potencial de namorado. Pois, eu podia nunca
ter beijado mas estava muito perto disso, infelizmente minha mãe resolve
se mudar e acaba com meus planos. Vida, ás vezes, você é uma merda.
“Tá tudo bem comigo amiga, e aí? Quero saber de tuudo e um pouco
mais hahaha.. Tou morrendo de saudades e de medo do primeiro dia de
aula. Como você sabe eu não sou nada boa em fazer amizades... Mas agora
tenho que ir pois é tomar banho e ir pra aula, beijos e quando chegar da
aula te mando outro sms”.
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O banho até que estava bom mas agora vou pegar minha
blusa de Guns( outra tentativa de me “traumatizar menos” dos meus pais) e
a calça nova e partir.
- Vamos Esther, já
está na hora. Quer se atrasar é? – Sabia que o “querida” não ia durar
muito.
- Tou descendo mãe
O carro, se meus pais quisessem me fazer uma tentativa
de suborno com ele com certeza eu cairia. Eu posso não entender muita
coisa de carro mas um New Beatle prata é um sonho pra qualquer um( pelo
menos aqueles que tem juízo).
- Mãe tu tem
certeza que quer dirigir? Eu posso fazer isso. – Meu sorriso trident
- Hahaha você não consegui nem andar de patinete
direito, imagina um carro.
- Ok, mãe.. Não
precisa humilhar
O passeio até a escola foi
bom, até que a cidade tem seu charme e o cheiro de carro novo também
teve sua contribuição para eu gostar daqui. A escola era enorme, estilo escola americana. Só faltava as líderes de torcida.
- Mãe, tem certeza que é aqui?- Não pode ser, a escola era linda porém tinha um aspecto de ser muito cara também.
- Claro, você acha que eu iria errar de escola – Ok,
eu já entendi, não precisava da sacada.
- Até a
volta , querida.
- Até mãe.
“Respira Esther e sai do carro” Ta na hora de criar coragem
e enfrentar a escola.
Com isso saí do carro e entrei na escola. Esse prédio é
enorme com vários andares e um estacionamento grande, pintada de branco
mas com
uns detalhes negros.(interessante).
-Aiiii – Eu disse depois de quase derrubar alguém
-Você ta bem?- Falou o garoto que eu quase derrubo, e que
por sinal é bem gato.
-Eh.. Tou sim- falei o examinando, hum olhos azuis, alto, pele branca e
cabelo preto
curto. Nada mal.- Desculpa, sério mesmo, não sei por onde tava com a
cabeça.
Essa escola é tão grande, né? – Por favor não me ache uma idiota, por
favor não
me ache uma idiota.
Com um sorrisinho sedutor
ele disse:
- É sim e você deve ser Esther, não é?
- É sim... Como você sabe?
- Sua mãe é amiga da minha mãe e ela me falou de você. Eu
achei que você era mais..
- Mais?
- Nada não..
- Diz
- Esquece... Quer que eu te mostre a escola?
Caramba um garoto lindo querendo me mostrar a escola? Pois
é, milagres acontecem.
- Claro.- falei.
- Ótimo – O sorriso sedutor de novo.
- Oi amor- Falou uma garota loira ( já não gostei dela) que
o abraçou e o beijou- Quem é essa?
- Essa é Esther, amor- Ótimo, ele tinha namorada.
- E essa é Alessandra, Esther- ele falou
- Ah oi- Eu disse.
- Olá, nova aqui? - Perguntou abrindo um sorriso. Tive
vontade de dizer “Claro, você já me viu antes aqui?” Mas lembrei que ela
com
certeza não iria levar na esportiva e briga no primeiro dia de aula eu
tou
fora.
- Sim- Respondi com uma educação que não é normal para mim.
-Seja bem-vinda bebê- Ai que ódio, ela foi simpática
- Brigada – disse finalmente.
- Então vamos para aula?- Ele falou
- Vamos né?- falei.
As aulas foram fáceis e de longe eu observava o garoto e
graças a minha enorme inteligência nem o nome dele eu perguntei. E
parece que
aquela garota era mesmo namorada dele e olha que ela não é de se jogar
fora.
Loira, alta( não tanto quanto ele), corpo atlético, pele bronzeada,
olhos
negros e cabelos lisos . Em compensação eu sou branca( daquelas
pálidas), tenho
cabelos negros ondulados, sou magra e tenho olhos azuis. Então se for
comparar
já estou vendo quem sai perdendo.
- Oi Esther, você passou o dia todo sozinha quer que eu e o
Leo te dê uma carona- Disse Alessandra
- Quem é Leo?- perguntei
- Sou eu. – O cara que foi atropelado por mim falou, e claro
que Leo só podia ser ele mesmo( eu sou burra).
- A foi mal não perguntar seu nome
- Sem problemas- ele respondeu- E aí, vai conosco?
- Se não for incomodo
- Claro que não, bebê- Alessandra falou ( porque ela tinha
de ser tão legal?)
30 minutos depois no carro:
- Então, você gosta de Guns N’ Roses- Leo falou.
- Eu acho que ta na cara- Falei
Alessandra e Leo riram.
- Desculpa, é que eu sou meio leso- Leo falou
-Meio? Você é completamente- Alessandra falou dando um
selinho de leve nos lábios dele.
- Eu acho que estou segurando vela- falei
Os dois riram novamente
- Você é engraçada sabia?- Ele falou voltando aqueles belos
olhos pra mim pelo retrovisor.
- Brigada.- falei, completamente sem graça.
- E chegamos – Alessandra( infelizmente) disse.
- Ah e antes que eu esqueça, eu adoro Guns também e você tem
os olhos de Axl- Leo falou. Eu não sei se ter olhos de Axl foi um elogio
mas
pelo menos eu gostei.
- Ah obrigada e até amanhã
E lá estava minha nova casa. Acho que vou demorar um pouco
para me acostumar com isso aqui mas é minha vida agora. Pelo menos o dia
não
está tão ruim.
- Até- Os dois disseram.
Alessandra é o oposto de mim porque enquanto ela é toda fofa
e delicada, eu sou grossa e desagradável, enquanto ela se veste toda
feminina
eu prefiro blusas de bandas e coturnos mas mesmo assim eu penso que
poderemos
nos dá bem.
Primeiro dia de aula: OK.
- Mãe cheguei!
Estranho, a casa está em silêncio.
- Mãe? Você está em casa?- Gritei mais forte enquanto subia
as escadas.
- Buuuu. – Minha mãe gritou e com isso derrubei todos os
meus livros.
- Mãe, por favor, sabe que eu odeio sustos – Falei tentando
me acalmar
- E como foi a escola?
- Foi legal- respondi indo pro quarto. – Vou tomar um banho
e estudar
“e você tem os olhos
de Axl” Essa frase não vai sair da minha cabeça nem tão cedo...
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8 de fevereiro My
Life
Pois é, pulei vários
dias mas foram tão comuns que não achei que precisaria escrever sobre
eles.
Enfim, a semana foi chata ( como eu achei que seria) mas notei uma coisa
muito
estranha, a Alessandra e o Leo não estão tão bem, parece que eles estão
com um
problema sério.
E como não tem mais
nada interessante rolando por aqui vou investigar isso. Amanhã vou na
casa dele
pois minha mãe vai visitar a amiga dela, que por coincidência é a
própria mãe dele.
Meu pai não pode vir esse final de semana, ou seja, não o vi . Sei que
minha
mãe está sofrendo porém o pior de tudo é que não posso fazer nada....
Fernando
é meu irmão que só tem 6 anos e está sofrendo tudo isso e está sem ver a
mãe
por 2 semanas, logo eles que se amavam tanto e faziam tudo juntos. É por
essas
e outras que prefiro não casar.
Ok, diário boa noite
pois amanhã tenho que levantar cedo...
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“With
the lights out it's less dangerous here we are now entertain us”
-
Acorda Esther e se arruma rápido porque estamos
saindo daqui a meia hora- Falou minha
mãe com um sorriso no rosto, mas tanto eu como ela sabemos que ele é
falso,
depois saiu pela porta cantarolando.
Corri para o banheiro, tomei
banho, vesti uma blusa em que estava escrito “ Fuck you Love” e coloquei
uma
calça e o sapato o mais rápido que pude e desci.
Quando chegamos na casa do Leo
pude perceber que ele ficava muito mais bonito sem farda.
- “Fuck you love”? – Disse ele me
cumprimentando.
- Ah é só uma coisinha que penso
sobre o amor, sabe eu só acredito em um tipo de amor e o resto é
besteira-
Falei corando.
- É baboseira da minha filha-
Falou minha mãe enquanto falava com a sua nova “melhor” amiga e me
envergonhando.
- Ah Estherzinha essa é Mia, mãe do Leo.
- Ah, olá.. Tudo bem?
- Tudo sim querida, entrem e fiquem a vontade.
A casa deles era simplesmente a
coisa mais bela que já tinha visto na
vida. Tudo exaltava luxo e antiguidade, as paredes eram em tons neutros e
os
móveis pareciam que tinham sido feitos no século passado e a mão.
- Esther, quer ir pro jardim
comigo? Porque eu penso que o assunto
aqui não vai ser nada interessante para nós jovens- Perguntou Leo
estendendo a
mão.
- Claro – Falei e me levantei
acompanhando-o
O Jardim era como imaginava. Tulipas,
margarida, rosas , girassóis, grama bem aparada e um balanço de madeira
que dava
para duas pessoas( daqueles de filme.)
- Vem cá- Ele me chamou enquanto
sentava no balanço. – Você notou alguma coisa diferente em Alessandra?
- Não – Falei, obviamente
mentindo , mas não queria me meter na história deles dois...
- Você não vai se meter na nossa
história.. Isso só foi uma pergunta- Ele falou com um tom ríspido, mas
como ele
sabia o que eu estava pensando?
- Huum.. Eu achei ela só um pouco
estranha mas não tenho certeza já que não a conheço muito. – Falei
rapidamente e
sem interrupções. – Mas espera.. Como você sabia que eu não queria me
meter
nessa história?
- Deduzi- falou e levantando
disse que precisava sair .
E foi embora, me deixando sozinha
ali... Já estou imaginando a cara que mãe vai fazer quando descobrir que
o
garoto mais lindo da cidade praticamente fugiu de mim. Ele disse que
deduziu
meu pensamento mas aquilo não parecia uma dedução e sim uma certeza.
Estranho,
muito estranho. E Alessandra? Eu tinha certeza agora que estava rolando
alguma
coisa estranha e (como não tem mais nada pra fazer) vou descobrir o que
é.
- Olá Esther, falando de mim? –
Disse alguém segurando meus ombros.
Capítulo 3: Descobertas

Capítulo 3: Descobertas

- Alessandra? - Susserrei no
mesmo tempo em que minha espinha se arrepiava.
- Quem você achou que fosse? –
Falou enquanto ia para minha frente com um sorriso assustador nos
lábios.
- Ta-ta tudo bem? – Falei tropeçando
nas palavras, aquela situação estava mesmo me assustando.
- Tá sim, o engraçado é que não
escutei a resposta da minha pergunta... Você estava falando de mim?- Ok,
agora
eu estava mesmo assustada, os olhos dela que antes eram negros estavam
menos
escuros e possuía um pouco de brilho azul.
- Não exatamente, o Leo só me
perguntou se eu tinha notado alguma coisa diferente em você – Falei
antes que
perdesse a coragem.
- Huuuuum... Interessante.... Querida,
é assim como sua mãe te chama , né?-
Falou olhando bem dentro dos meus olhos e posso jurar que vi nos dela o
azul ficando mais intenso.
- Querida, querida, acorde!-
Escutei minha mãe falando um pouco assustada mas não consigo ver nada e
minha
cabeça parece que vai explodir.
- Esther, abra os olhos devagar e
respire fundo- O homem falou
Tentei abrir os olhos mas quando
conseguia eu só podia ver coisas embaçadas.
- Mãe, o que foi que aconteceu?
- Você desmaiou e a sua amiga te
trouxe para dentro de casa - Foi então que me lembrei que estava falando
com
Alessandra. – Leo ficou tão preocupado, ele está lá fora esperando você
melhorar.
Quando escutei o nome Leo a dor
de cabeça se intensificou e desabei de novo.
- Ai, minha cabeça – Falei abrindo
os olhos e para minha sorte já podia ver algumas coisas. Estava no meu
quarto e
sozinha. Não sei o que aconteceu mas com certeza estava acontecendo
alguma
coisa.
Me levantei e peguei o celular
para ver ás horas e foi quando vi que tinha uma nova mensagem:
“ Oi, é Leo... Só queria saber como vc estava, fiquei preocupado L Quando vc estiver
melhor me manda outro sms. Beijos e fica bem.”
Tá bem, se toda vez que eu
desmaiar receber um sms desse você pode
ter certeza que quero viver inconsciente.
“ Eu estou bem, Leo.
Obrigada pela preocupação. Beijos Esther”.
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah- Gritei depois que um
vaso quebrou
- Esther, Esther ta tudo bem? – alguém falou
- Tou sim, espera é você Leo?- Depois disso a voz
desapareceu e me vi sozinha no quarto de novo. Ok, eu já estou ficando
meio paranóica
com isso... E outra amanhã tem escola e
tudo o que eu quero agora é dormir. Quem eu tou enganando? Vou passar a
noite
endoidando com essa história, inferno.
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9 de fevereiro
My
Life
Querido diário estou
muito cansada para escrever aqui então boa noite.
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- Estheeeeeer – Ouço um grito na sala e saiu correndo.
- Mãe? Mãaaaaaa- Saí correndo e acabei tropeçando na escada
(minha cara isso) – Tá tudo bem? Porque você esta gritando?
Chego, finalmente, na sala e encontro minha mãe sentada no
sofá com um rosto pálido e segurando o telefone.
- Mãe, fala alguma coisa. Tou começando a ficar preocupada -
Mas ela não falava nada, continuava olhando para frente – Mãe fala
alguma
coisa, por favor... – Falei em tom baixo, sentando do lado dela e
segurando sua
mão.
- Seu pai- Ela sussurrou
- O que tem meu pai?- Falei começando o desespero
- Ele.. Sofreu um acidente.
- O que?- Gritei pulando do sofá, era meu pai ele não podia
ter se acidentado – Mãe explica isso melhor, quem te falou essa bobagem?
– eu já
andava de um lado para outro, meio que tendo um ataque.
- CALMA ESTHER- Gritou e me deu um tapa.
- Por- por que você me bateu?- Droga, a mão da minha mãe era
pesada
- Pra você se alcamar.
- Eu quero ir pra lá, preciso ficar do lado dele. Ele é meu
pai.. Droga, ele é meu pai e tá sofrendo. Mãe, eu preciso ir. Eu
preciso. Não
posso deixá-lo- Nesse momento lágrimas começaram a correr dos meus
olhos, eu
precisava ir. Eu sentia isso.
- As passagens já foram
compradas- Disse minha mãe me abraçando.
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10 de fevereiro
My
Life
A viagem foi longa e
praticamente não falamos nada.. Fiquei preocupada pensando que meu pai
estava na U.T.I e em estado
grave, ligaram lá para casa dizendo que ele estava suplicando para que
me visse
pela última vez. Eu não queria nem pensar que seria a última vez, não
pensave em ver
meu pai morrer...
Quando chegamos no
aeroporto todos meus amigos estavam lá. Foi bom rever todos eles mas não
estava
com cabeça para pensar em nada porque meu pai tava no hospital e tudo
mais... E
adivinha o que era? Meu pai não estava na U.T.I coisíssima nenhuma, ele
só
tinha levado uns arranhões e fez um escândalo. Minha mãe ficou irada e
morta de
raiva ( apoio ela nisso).
Bom, agora vou saindo porque ainda vou visitar meus amigos e rever o
Erik. Quem sabe não é hoje que finalmente beijo alguém de verdade?
Beijos
Diário.
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- Vamos Esther, quero te mostrar uma coisa- Era Erik que
falava, ele era bem bonitinho.. Era alto, corpo atlético, sorriso no
lugar, o
cabelo castanho e os olhos da mesma cor. O olhar era o mais marcante de
todos,
era como se ele soubesse de tudo que se passave e mesmo assim te
aceitava. Ok,
tou lendo livros demais.
- Vamos, me diz uma coisa.. Você sentiu minha falta? –
Perguntei enquanto andávamos de mãos dadas.
- O que você acha?- Ele falou enquanto parava na rua e
olhava bem dentro dos meus olhos( eu amava quando ele fazia isso)
- E-eu não sei – Falei e no mesmo momento ele segurou forte
pela cintura e vi a proximidade dos nossos corpos.
- A cada instante meu pensamento era em você – Seus lábios
estavam perto da minha orelha e agora ele sussurrava- Seus cabelos, sua
voz,
seus lábios... São coisas que não vou esquecer jamais- Seus olhos se
voltaram para os meus e nossos
narizes se encostavam – Eu quero fazer isso antes que seja tarde de
novo. –
Nesse momento nossos lábios se tocaram, meu coração acelerava mais do
que tudo
e era tão bom. Posso te dizer que beijar é bom e principalmente alguém
que você
gosta. As mãos deles faziam pressionavam minha cintura e esqueci de
tudo. Por
um instante eu não queria mais pensar em nada.
Capítulo 4: Desentendimentos e Forever it's Over
Capítulo 4: Desentendimentos e Forever it's Over
- E aí? Gostou? – Ele perguntou enquanto afastava os lábios
( eu não queria que tivesse terminado tão
cedo).
- Claro, mas ainda não estou satisfeita – E puxei ele de
volta. Eu não sei o que tinha naquele beijo mas me fazia esquecer de
tudo, do
mundo e viver aquele momento. Sorte minha que meu primeiro beijo foi com
alguém
que beijava também.
- Esther? – E aquela voz me fez largar completamente Erik.
- Leo? – Eu não podia acreditar que era ele. – O que você
está fazendo aqui?
- Te levando pra casa. – E ele me puxou das mãos de Erik.
- Você tá louco? – Falei me largando das mãos dele e
esperando alguma reação do garoto que eu acabei de beijar.
- Quem é esse Esther? – Erik perguntou indo na minha
direção.
- Um amigo e eu não entendo realmente porque ele está aqui-
Falei me virando para Leo.
- Eu vim aqui por você – falou olhando dentro dos meus
olhos( porque eles sempre tem que olhar nos olhos? Isso acaba comigo,
sério.) –
E sua mãe estava muito preocupada e pediu que eu te localizasse o mais
rápido
possível – Mas como é que ele sabia
andar por aqui? Ele nunca morou aqui... Essas coisas estão muito
estranhas- Eu nunca
morei aqui mas tenho parentes aqui, entendeu agora? – ok, ele respondeu
como se
tivesse lindo meus pensamentos.
- Mas ela está comigo e pode avisar a mãe dela pois comigo
ela está segura – Erik falou indo para o
meu lado e segurando minha cintura ( isso que é atitude de homem)- E se
ela
estão tão preocupados, eu a levo para casa agora, está bem?
- Ótimo – Leo falou rispidamente e saiu andando sem olhar
para trás. E aquilo me maguou, não sei porque, mas sabia que tinha me
ferido.
Quando ele se foi senti um vazio no peito imediatamente. O que poderia
significar aquilo?
-Vamos para casa minha dama?- Erik perguntou.
- Claro.
O caminho de volta foi muito sinistro. O silêncio estava
reinando ali, mas eu não queria começar uma conversa ou propriamente
conversar.
Estava me sentindo muito estranha e não parava de pensar no Leo, o que é
estranho porque 10 minutos atrás minha cabeça estava em torno de Erik. E
ainda
por cima quando chegar em casa tenho que enfrentar a ira da minha mãe
mas pelo
menos meu irmãozinho vai estar lá e eu vou poder abraçá-lo e ficar
agarradinha
com ele o resto da tarde.
- Hum.. Você quer conversar? – Erik perguntou enquanto
beijava de leve minha cabeça, ele era tão fofo.
- Não muito – Falei soltando um sorriso de lado mas ele não
tinha culpa do que se passava na minha cabeça-
Mas me diz, como estão as coisas aqui? E Sarah como ela ta? Não vi hoje
ela no aeroporto e nunca mais recebi um sms dela.
- Eu não queria falar sobre isso agora – Ele respondeu
acelerando os passos e soltando minha cintura para pegar na minha mão.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei curiosa.
- Nada que seja agradável de ouvir.
- Agora que você começou, termine.
- Digamos que ela insistiu para ficar comigo e eu disse não
porque sabia que ia ser uma coisa..
- Ela fez o que? – Que ótimo agora eu tinha uma amiga vaca.
- Eu não queria te contar mas..
- Oi Esther – Falou Sarah que vinha na mesma rua mascando um
chiclete, que eu aposto que era de capim, vaca desgraçada.
- Oi Sarah – Falei com o maior sarcasmo que consegui –
Pegando muitos garotos ou correndo atrás daqueles que já tem dona?
- Como assim Esther? – Falou ela fingindo desentendimento(
como era falsa).
- Explica pra ela Erik – Se era verdade o que ele estava
falando, ele iria ter coragem de falar na cara dela. – Então Erik fale!
Ou o
gato comeu sua língua.
Não sei porque estava sendo tão grossa com ele, mentira eu
sabia.. Eram meus nervos, odeio quando eles ficam descontrolados.
- Eu disse para ela – Falou ele abaixando a cabeça( Eu
odiava ver ele sofrendo).
- Disse o que? – Falou a piranha. – Diga falou o que?
- Da sua tentativa de me beijar e por isso que estava se
escondendo- Falou ele num tom baixo. Eu queria ficar só observando para
saber quem
estava certo ou errado. Mas pelo o que conhecia de Erik ele nunca
conseguiu
mentir bem... Porém Sarah vivia fazendo isso e outra, ela estava
alterada.
- É mais você bem que ficava me cercando, pensa que não
notei? O jeito que olhava para mim era diferente. – Falou ela.
- Você só pode estar louca. Diferente de você, eu sei
respeitar meus amigos... Você sabia muito bem de quem eu gostava e mesmo
assim
dava em cima de mim. Muitas vezes eu relevei deixei passar mas naquele
dia foi
demais e você sabe muito bem disso.
- Cala essa boca – Ela gritou dando um tapa nele.
- Cala a boca você e tire as mãos do meu namorado – E a
empurrei, espera aí, eu disse namorado? Eu só posso ta louca.
- Namorado? – Disse Erik com um sorrisinho de lado. Ok, é
oficial quero me matar.
- Esther, desculpa... Eu pensei que você não iria se
importar – Falou ela
- Como é?- Falei olhando dentro dos olhos dela. – Você sabia
que eu gostava dele, o quanto foi difícil deixá-lo... E você teve
coragem de
fazer isso comigo? Comigo? Uma pessoa que você dizia ser sua melhor
amiga. –Eu não
queria chorar( eu odiava fazer isso para falar a verdade) mas não estava
conseguindo agüentar e as lágrimas se acumulavam nos meus olhos.
- Quem você quer enganar, Esther? Quem? Você também não é
nenhuma santinha.. Você cercava Erik desde quando ele tinha namorada,
lembra?
Ou se esqueceu? Se eu sou uma piriguete você também é. – Ela jogou baixo
agora,
e se ela quer briga, ela conseguiu.
- A sua vaca desgraçada.. Não me venha me falar dessa
história não. Eu esperei ele terminar com a namorada dele para poder
fazer
amizade, e você sabe muito bem disso. Nós gostamos um do outro pelo
tempo,
então pare de ser invejosa. Ah e só para te matar de raiva, saiba que
ele beija
muito bem e você nunca vai poder provar disso.
- E quem disse que eu quero? – Falou ela com tom esnobe.
- Você, quando tentou agarrar ele.
- ok, isso é muito bom para o meu ego mas já chega.- Falou
ele me puxando para longe – E Sarah
nunca ia rolar entre nós dois- E o sorriso de lado voltou enquanto ele
me
levava para frente.
- Então quer dizer que eu beijo bem, né? – Falou ele num tom
convencido e aquilo me fez rir.
- Ah cala a boca, você sabe muito bem que aquilo saiu em um
momento de raiva. – Falei rindo.
- Quer calar? – Eu não sei o que ele tinha mas me fazia
sentir bem.
- Deixa pra mais tarde – Falei brincando.
Quando finalmente chegamos em casa, Leo estava sentado na
varanda olhando para frente ( e ele daquele jeito ficava mais gato do
que o
habitual). Depois quando ele nos viu, se
retirou e entrou em casa( mas que merda ele tava fazendo na minha
casa?).
- Ei pequena tenho que ir- Disse Erik interrompendo meus
pensamentos.
- Eu não sou sua pequena.. Já sou grandinha – Falei rindo
enquanto ele fazia cara de triste – É brincadeira, posso ser sua
pequena.
- Muito melhor assim- Disse ele me dando um pequeno beijo-
Durma bem- Disse ele sussurrando no meu ouvido. E depois se foi
acenando.
Ok, agora eu tinha outro problema: Leo.
Capítulo 5: Segredos e Tentação
Capítulo 5: Segredos e Tentação

Entrei em casa já esperando pelo pior... Minha mãe com
certeza brigaria muito pela demora( mas não tive culpa de participar de
duas
brigas numa mesma tarde) e me deixaria de castigo.
- Olá, pensei que você não apareceria mais- Ouvi a voz de
Leo, o mais estranho é que ele estava na minha casa e ainda fazendo
cobranças.
- Huum.. Tive alguns imprevistos- Falei indo para sala onde
eu o encontrei com um pedaço de pizza e coca-cola e foi aí que percebi o
quanto
faminta eu tava. – Ei, você não comeu toda a pizza não, né? – Disse em
tom
brincalhão para ver se diminuía a tensão.
- Claro que não, sobrou um terço de um pedaço em cima da
mesa- Falou sorrindo, ás vezes, sorrisos
transformam ambientes.. É tão interessante isso.
E fomos para a mesa e terminamos de jantar( não havia só um
terço do pedaço mas sim quase metade da pizza inteira). Conversamos,
rimos e o
tempo passou rápido e foi então que percebi que minha mãe não estava.
- Leo, cadê minha mãe?
- Ah, ela voltou pra casa.
- Ela fez o que?
- Ela teve que voltar mas amanhã de manhã nós voltamos
também, ela comprou nossas passagens. E foi por isso que eu vim aqui,
você sabe
que nossas mães são muito amigas e talz... Então quando sua mãe disse
que você
teria que vim sozinha, a minha mãe disse que não tinha cabimento e me
ofereceu
para vim com você na volta.
- Então você veio obrigado, certo?- Sabia que tava muito bom
para ser verdade
- Lógico que não, eu me importo com você, sabia? – Disse ele
bruscamente olhando para mim.
- Agora eu sei. – Falei com um sorrisinho tentando disfarçar
o que tinha acontecido. – Mas porque mesmo minha mãe teve que voltar?
- Eu não sei, isso você tem que perguntar a ela.
E ele se levantou da mesa e foi olhar os filmes que tínhamos
em casa.. Que legal, talvez eu tenha feito com que ele ficasse com
raiva, eu
sou muito idiota mesmo. Então foi por
isso que mãe me queria em casa mais cedo, ela queria se dispedir. Droga,
eu só
dou mancada mesmo.. Daqui a pouco ligo para ela pedindo desculpas.
- Mas Leo posse te perguntar uma coisa? –Perguntei indo para
a estante enquanto ele escolhia um DVD( tenho certeza que ele escolheria
um
para fazer uma “noite de cinema”) – Porque você tem o poder de aparecer
nas piores horas e eu nem sei se estou louca
mas, ás vezes, você parece ler minha mente. – Falei isso observando a
reação
dele e percebi que ele ficou bastante tenso.
Foi quando ele chegou bem perto e quando eu vi os olhos
dele, aqueles azuis que pareciam tão doces estavam ameassadores e foi
quando
ele finalmente falou:
- Há coisas nessa vida
que é melhor não sabermos.
- Você vai saber na hora certa- Disse ele ficando um pouco
sombrio.
- Eu não quero saber depois, quero agora.
- Pode tentar o bastante mas você não vai arrancar nada de
mim- Disse ele sorrindo um pouco sedutor( acabou aí a vontade de fazer
qualquer
pergunta) –A não ser que você queira- Falou olhando para a sua blusa.
- Aaaah vai se lascar- Falei rindo.
- Pois é, pena que você tem namorado. – Falou ele enquanto
se levantava do sofá para ligar o DVD. Mas ele também tinha namorada,
espera eu
não tenho namorado.
- Eu tenho namorado mas você tem. – Falei rispidamente.
- Eu não tenho não, eu tinha uma namorada.. Eu nunca provei
garotos e nem quero – Ele falou enquanto eu finalmente descobri que
filme ele
escolheu: Casa comigo. Mas espera ele não tinha mais namorada?
- Você não tem mais namorada? E Alessandra?
- Terminei com ela. – Essas palavras me encheram de
felicidade. Ele não tinha mais namorada. Além de ser lindo.. Caramba,
mas eles
pareciam tão bem.
- Mas o que houve? Vocês pareciam tão bem... –Falei tentando
entender
- Não estava dando certo.. Ela tinha mudado muito e – Ele apagou
e a luz e apertou “play” e quando sentou do meu lado ele finalmente
falou – E meus
pensamentos são para outra pessoa agora.
Com isso ele mexeu no meu cabelo enquanto automaticamente
minha pele queimava e eu podia sentir que estava ficando vermelha de
vergonha.
Foi então que me levantei e disse que iria ao banheiro. Ali quieta
percebi que
minha vida tava um caos. Meus pais estavam separados, minha melhor amiga
me
traiu, tenho uma nova inimiga(Alessandra), estou me apaixonando por dois
garotos e tem um deles na minha sala. Porque a vida não pode ser mais
simples?
Droga.
Quando sai do banheiro vi Leo de longe e pensei o quanto ruim
seria se eu fosse a menina que ele vem pensando. E ainda tem Erik, eu
gostava
muito dele mas quando chegava perto de Leo isso desaparecia e
vice-versa. Não
sabia o que aquele dois tinham mas com certeza isso me deixaria louca. E
tomando coragem me sentei no sofá.
- Oi – Falei um pouco envergonhada
- Olá, aconteceu alguma coisa?- Ele perguntou com um tom de
preocupação
- Aconteceu nada não... Sabia que eu já assisti esse filme
um milhão de vezes? – Falei me gabando.
- Eu também. Que conhecidência e sabe qual é a parte que
mais gosto- Ele perguntou chegando bem perto de mim.
- Acho que tenho idéia – Falei me lembrando também da minha
parte favorita
- Quero dizer: Talvez você possa nunca roubar, mentir ou
trair – Falou ele recitando a primeira fala do casamento que ocorre no
filme.
-Mas se precisar roubar, roube minhas aflições – Falei completando.
-Se precisar mentir, minta todas as aflições da minha vida.
- E se precisar trair, então, por favor traia a morte.
- Porque eu não poderia viver um dia sem você. – Falamos juntos
na mesma hora enquanto nossos narizes se tocavam e nossas respirações se
misturavam...
Capítulo 6: Reencontros
- Huuuuum... Interessante.... Querida, é assim como sua mãe
te chama , né? – Olhei nos olhos de Esther até que finalmente ela
desmaiou. O
impressionante é que esse feitiço raramente demora em seres humanos.
- O que você fez? – Escuto Leo falando e correndo em direção
de Esther. – Sua louca, o que estava pensando?
- Para de melodrama -
Falei enquanto via ele levantando aquela meninazinha – Você sabe muito
bem que
ela só dormiu e que vai acordar depois de duas horas.
- Nós deveríamos protegê-la. – Ele falou enquanto a raiva
fazia com que sua aura se escurecesse enquanto seus olhos começavam a se
tornar
negros. – Nós deveríamos protegê-la
Seu corpo já estava rígido e sua voz engroçava enquanto que
sua reação parecia agressiva.
- Você não vai querer briga, Leonardo. – Falei enquanto a
força do meu corpo aumentava e me sentia como a transformação tivesse
começado,
podia sentir meus cabelos flutuando – Tenho certeza que você não quer
causar
uma confusão tão perto da casa da sua mãe, quer dizer, sua monitora.
- Saia daqui Alessandra antes que eu me descontrole.
- Ok, boa sorte com essa garotinha e fala que eu mandei um
beijo quando ela acordar. – Falando isso automaticamente imaginei onde
queria
estar e fui para lá.
París a capital do amor. Humanos podem ser tão idiotas,
classificar cidades assim... Até que ela não é ruim, mas não vim aqui
para
turismo. Tou cansada de ter que proteger garotas inocentes, isso cansa,
sua
“vida” vira um saco. Mas bem que se não fosse por elas nem na terra eu
estaria,
porém é bom quebrar as regras de vez em quando.
Não quero me envolver numa guerra de novo por causa de uma
fedelha. Principalmente essa Esther que é uma pateta... Acha que a vida
dela é
horrível sendo que já vi muitas outras piores, e, além disso, ela está
de olho
no meu companheiro. Pena que ela não sabe que é impossível, e aquele
lesado do
Leonardo ainda dá motivos para aquela boba se apaixonar. Eu o amo, mas
ele é
muito da paz, correto e não gosta de nenhuma aventura. Minha passagem
por aqui
está um saco.
- Alessandra? – Ouvi a voz dele quando finalmente nos
encontramos.
-Erik?
- Anjos não deviam circular por aqui e você sabe disso. –
Falou ele me beijando de leve nos lábios.
Adorava aquela sensação de errado. E isso é viciante, se Leo
podia ter um caso por fora eu também podia. Mas bem que ele não podia
propriamente dizendo, porque se ele se envolvesse com um mortal as
conseqüências seriam terríveis e logo seria descoberto. Pois quando um
anjo se
envolve com um mortal( pior ainda se ele for seu protegido) uma marca
surge e isso o acusa rapidamente. Mas comigo
é diferente, eu estou envolvida com outro imortal e mesmo que ele seja,
como
podemos falar? “Do mal” como dizem, ele ainda é um imortal e isso
dificulta
muito a descoberta.
- Huum.. O que você quer?- Erik me perguntou.
- Lembro que você me falou que se eu te ajudasse a conseguir
seu objetivo com Esther, você conseguiria várias vantagens com seu
chefe. –
Queria saber sobre todos os acordos.
- Mas isso poderia causar a sua queda. – Ele falou sentando
na cadeira. – Mas se fizer do jeito que tiver que ser feito, talvez você
continue do jeito que está ou consiga até uma promoção.
- Interessante, então trato feito. Ela será de vocês
- Ótimo.- falou ele enquanto me fitava.- Você fez uma
escolha e não poderá voltar atrás. Nós vamos ter que conseguir a..
- Não fale isso alto, esqueceu que o céu tem olhos?
Esther:
- Eu não posso – Leo falou afastando o rosto.
- Não pode o quê? – Falei disfarçando olhando para frente e
completamente sem graça me levantei e fui para cozinha. Não sei o que
aconteceu,
mas uma coisa era certa: quase nos beijamos. E ainda tinha Erik, não sei
se nós
somos namorados, mas, mesmo assim, ainda fico mal em pensar em outro
garoto.
Peguei um copo de água bem gelado para espantar aquela
sensação. De novo aconteceu, esqueci Erik quando estava com Leo e só fui
pensar
nele agora... Preciso dormir. Fui à sala me despedir de Leo mas ele não
estava
mais lá. Então fui para o quarto e apaguei.
“With the lights out it's less dangerous here
we are now entertain us”
Acordei atordoada e com muito sono. Fui tomar banho, vesti
uma blusa bem bonitinha com uma frase escrita: “I Love Rock N’ Roll” com
as
cores da Inglaterra, peguei um short curto e uma bota sem salto e fiquei
esperando meu pai. Depois de quase uma hora escuto alguém apertando a
campainha
e quando abro meu irmão Patrick de seis anos estava na porta não pensei
duas
vezes e o abracei:
- Patrick! – Falei enquanto o abraçava muito e meus olhos
enchendo de lágrimas. Meu irmão é a coisa mais fofa que imaginar, ele
parece um
bonequinho e ainda tem olhos bem azulzinhos e uma pele bem clarinha com
as
bochechas rosadinhas.
- Têtê – Ele tentou pronunciar meu nome, mas não conseguia,
por isso eu tenho esse apelido: Têtê.
- E não vai falar com seu quase falecido pai? – Meu pai
estava na porta de braços abertos, então deixei meu irmão e abracei-o...
Tá bom
que ele merecia uma surra por quase ter me matado do coração, mas eu
estava
muito feliz para fazer isso agora.
- Quase falecido... Sei. Você quase matou a mim e a mamãe do
coração, isso sim. – A emoção tava tanta que eu nem percebi que eles
estavam
levando malas também. – Pai você vai viajar também?
- Vou sim, quer dizer, vou me mudar.
- Pra onde?- Perguntei, será que eu ia ficar mais longe do
meu irmão?
-Pra sua cidade.
- O quê? – A felicidade estava completamente grande, eu mal
podia acreditar.
- E ainda tem mais, meu amor. Você sabe quem é Erik, né? –
Ele perguntou, mas logicamente eu sabia quem ele era. O garoto que eu
tinha
beijado conhecia meu pai. - Ele me disse que te conhecia e pediu para te
avisar
que ele também vai morar na sua cidade.
- Como assim pai?- Perguntei não acreditando
- Ele passou num teste do banco e vai trabalhar lá... Só sei
isso. Se quiser mais detalhes pergunte a ele.
Que maravilha, agora vou ter dois garotos que gosto perto.
Se eles quase me enlouqueceram em dois dias imagina o que eles podem
fazer em 1
ano(ou mais). Inferno.
A viagem foi tranquila e sem muitos aborrecimentos, quer
dizer, tirando a parte que meu pai foi de primeira classe com meu irmão e me
deixou sozinha na outra classe do avião, tudo ocorreu bem. A maior
parte do vôo fiquei pensando o quanto
minha vida ia se tornar uma verdadeira bagunça. Meus sentimentos são
totalmente
misturados, tudo iria ficar tão fácil se Erik não fosse morar na minha
cidade...
Mas eu não estava tão interessada assim em Leo( pelo menos eu acho) pois
eu o
conheço a pouco tempo e estamos começando a ser amigos. Concluí que era
isso que iríamos ser: Só amigos.
- Vou sim, porque?- Respondi
- Nada não, amanhã a gente se fala.Tchau.
-Tchau - Desliguei o telefone sem entender absolutamente nada.
Cheguei em casa e a mesma cor caramelo estava lá( até que essa cor dava
um charme a
mais na casa). Agora a porta da entrada havia sido trocada e não era
mais branca e
frágil mas sim marrom e com uma aparência bem resistente, percebendo que
eu
havia reparado meu pai falou:
- Eu mandei sua mãe trocar de porta pois a antiga era muito
frágil.
No mesmo instante minha mãe abriu a porta e me abraçou. Seus olhos
azuis estavam alegres, aqueles
olhos eram os mais bonitos que já vi. Conseguiam ser mais azuis que o
céu e
tinham uma doçura impressionante, meu pai costumava me dizer que aqueles
eram o
motivo dele ter se apaixonado tão perdidamente por ela. Apesar do tempo
ela
continuava linda, sua pele era só um pouco bronzeada e, apesar de ela
estar
quase completando 40 anos, não conseguimos ver quase nenhuma ruga em seu
rosto.
O sorriso dela é doce e terno e sem contar no corpo bem esculpido que
ela
possui e olha que ela não pratica quase
nenhuma atividade esportiva.
O Estranho é que meu
pai é quase o contrário disso. Não estou dizendo que ele é feio mas,
sinceramente, ele não mereci( ou merecia) minha mãe... Ele possui olhos
escuros
e sua pele é bem branca( daquelas pálidas mesmo) e tem um buchinho de
cerveja,
o sorriso é um pouco bonitinho mas minha mãe sempre me disse que foi o
charme
dele que a conquistou.
- Então você não vai mandar nós entrarmos? – Meu pai falou
sorrindo para minha mãe.
- Você sabe que pode entrar- Ela falou sorrindo de volta.
Ok, esse clima de romance era muito estranho.
Depois de tirar uma soneca, estava mexendo na internet
quando vi alguém bater na porta.
- Sabe porque a loira jogou água no seu computador?- Era
erik na porta com aquele seu jeito charmoso de sempre.
- Não, porque foi? – Falei me segurando para não me jogar
naqueles braços
- Porque ela queria navegar na internet .
- Seu besta. – Falei me jogando naqueles braços.
- Mas seu besta- Respondeu dando ênfase ao “seu” e depois me
puxando bem para perto me beijou, foi um beijo rápido mas intenso. –
Então,
vamos sair?
- Não sei... Tenho aula amanhã de manhã, não sei se a minha
mãe deixaria...
- Eu já falei com ela. Essa decisão é totalmente sua.
- Pois então vamos. – Falei enquanto o beijava mais uma vez.
Fomos ao cinema e depois paramos em um restaurante.
- Vou pedir um vinho para nós. – Ele falou chamando o
garçom.
- Mas eu não bebo, esqueceu? Sou de menor.
- Mas para a maioria dos adolescentes ser de menor não é um
problema. – Falou ele com um sorisinho de lado que me deixou irritada.
- Mas eu também não gosto. – Falei com raiva.
- Só uma taça, se não gostar você pode trocar por outra
bebida. – Falou ele acariciando meu rosto.
- Ok, mas só dessa vez, tá? – Falei sorrindo.
- Claro.
Quando chegou o vinho ele me serviu e até que não era tão
ruim assim... Quando fui colocar mas uma taça ele me parou.
- Que foi? – Perguntei, sem entender o que estava
acontecendo.
- Você disse uma taça.
- Não você que se eu não gostasse aí sim seria só uma taça
mas não é isso que ta acontecendo.
- Mas você não gosta de beber, lembra?
- Não gosto de beber outras bebidas alcoólicas mas essa eu
gostei e então tenho direito a mais uma taça.
- Garçom? – Chamou ele.
- O que vai fazer?- Perguntei sem entender.
- Sim senhor- O garçom falou
- Leve esse vinho e fico com ele para você e traga uma coca
por favor.
- Lógico, obrigado senhor. -
Claro que o garçom saiu muito feliz da mesa, já que aquele vinho custava
quase um mês de salário dele. E foi aí que lembrei o quanto Erik tinha
dinheiro pois ele com 21 anos já havia
arrumado um emprego em um banco mega reconhecido e o salário dele não
era uma
coisa pequena. E isso é entendível pelo quanto inteligente aquele garoto
era.
- Porque você fez isso? – Perguntei incrédula.
- Porque você não iria beber mais que uma taça. – Falou ele
- Eu te odeio – respondi.
- Odeia nada- Disse
ele segurando minha mão.
Cheguei em casa morta de cansada e fui direto pro banheiro
quando meu telefone toca:
- Oi Esther
- O-Oi Alessandra - Falei sem enternder porque ela me ligava
aquela hora. - Aconteceu alguma coisa?
- Amanhã você vai para a escola?- Vou sim, porque?- Respondi
- Nada não, amanhã a gente se fala.Tchau.
-Tchau - Desliguei o telefone sem entender absolutamente nada.
Capítulo 7: Novas Alunas e Revelações
Dormi como um anjo, era bom sair
com Erik e divertido também... Só o que me afligiu foi o telefonema de
Alessandra ontem a noite, não vejo ela desde o dia em que fui para casa
de Leo
e agora nem sei se somos amigas ou outra coisa. Enfim, não quero pensar
nisso
pois o dia vai ser puxado e ainda por cima vai ter escola. Eu não
deveria estar
tão relaxada com o colégio porque é esse ano que me formo e ainda vou
fazer
vestibular.
- Essa coisa de você e Erik está
ficando séria e olha que eu gosto dele então não invente de ficar
brincando com
os sentimentos dele, viu mocinha? – Minha mãe falou enquanto eu descia
da
escada, a cozinha continuava a mesma coisa de sempre... Armários grandes
e de
cor marfim, um balcão de mármore onde eu comia toda manhã e a única
coisa que
era a minha cara eram as cadeiras( pois eram bem coloridas e super
confortáveis).
- Brincar com os sentimentos
dele? Como assim? – Perguntei enquanto sentava na cadeira e me apoiava
no
balcão e tomava meu chocolate quente como todas as manhãs.
- Você fica andando com aquele
Leo nas costas dele, não que eu não goste de Leo, mas você precisa
decidir com
qual dos dois você quer ficar. – Quando ela falou isso congelei( a
famosa cara poker face) e depois ri descontroladamente.
- Ok, mãe vamos para escola –
Falei recuperando o fôlego.
Finalmente vi a fachada do meu
colégio “Sebastião Neto” escrito em um outdoor perto do prédio. Mas ela
continuava com seu ar de tradição porém parecia aquelas escolas
americanas ,
grande e imponentes. Não encontrei
ninguém pelos corredores e quando finalmente cheguei na sala notei que
na
cadeira do lado da minha havia uma menina muito estranha. Ela era meio
gótica,
usava um cabelo bem cumprido preto e com duas mechas azuis , um vestido
preto
que ia até o joelho, uma meia calça e um coturno, sem falar na sua
maquiagem
que consistia em um olho bem preto e a pele praticamente pálida e nas
suas mãos
pude ver cortes, ou seja, ela com certeza se cortava. Quando ela
percebeu que eu a observava me mandou um olhar gélido no qual me fez
sentir
arrepios. Os olhos dela eram verdes, mas daqueles bem vivos, porém
melancólicos
e depressivos.
- Olá – Eu disse enquanto colocava
minhas coisas na cadeira. Foi quando notei que ela carregava um
crucifixo e um
terço perto das marcas. Então fiquei em dúvida se ela se corta ou se
cortava.
- Oi- Ela falou olhando para a
janela onde se podia ver o belo jardim da escola( rosas de todos os
tipos e
vários bancos pretos que contrastavam perfeitamente com o verde das
árvores.
- Você é nova aqui?- Perguntei meio
insegura, porque não sabia se ela estava afim de conversar.
- Sim, sou sim – Falou ela dando
um pequeno sorriso enquanto brincava com suas pulseiras.
- Bonito terço- Falei enquanto percebia o quanto aquele
terço
era bonito, era preto e a cruz bem prateada e delicado também.
- Obrigada, na verdade, ele é
meu protetor pois sem ele eu não sobreviveria- Falou ela enquanto
levantava o
terço e o olhava com admiração. E foi aí que ela voltou aqueles olhos
para mim
e perguntou: Você acredita em Deus?
- A-Acredito- falei meio perturbada porque eu
nunca parei mesmo para pensar nesse assunto, na verdade, eu tinha
certeza que o
Senhor existia mas nunca me aprofundei no assunto.
- Ótimo e meu nome é Liza- Ela
disse finalmente.
- Aah e o meu é...
- Olá Esther, vejo que conheceu
a nova aluna – Alessandra falou enquanto ficava do nosso lado.
- Não me mencione nas suas
conversas- Falou Liza enquanto se
retirava da sala.
- Cuidado bruxinha pois coisas
ruins podem acontecer com pessoas que me tratam mal – A voz de
Alessandra
estava em um tom frio, ruim e ameassador. Diferente do que era
antigamente. Foi
quando a porta se fechou num estrondo assustando a todos na sala, foi aí
que
percebi que ela se fechou logo quando Liza ia passar e que esta estava
paralisada olhando para aquela porta( possivelmente em choque). Foi aí
que
corri e segurei nos ombros de Liza.
- Tá tudo bem? – Perguntei a
ela.
- Tá sim, só quero sentar – Ela disse
com uma voz fraca e assustada.
- Claro, deixa eu te ajudar. –
Então peguei as coisas dela e coloquei novamente na cadeira do lado da
minha
enquanto ela me seguia olhando para o chão.
- Huuum a bruxinha se assustou- Escutei
Alessandra falar enquanto fazia todos na sala rirem de Liza.
- A vai pro inferno Alessandra-
Falei sem nem notar o que realmente havia falado.
- Como é sua..
- Turma todos em seus lugares e
em silêncio que a aula vai começar – Falou o professor interrompendo
Alessandra
e me livrando de uma fria. Foi na aula que percebi a falta de alguém,
quem eu
estou tentando enganar? Senti falta de
Leo mesmo, estranho porque não soube notícias dele desde daquele dia lá
em
casa.
O resto da aula foi tranqüila e
falei com Liza nos intervalos delas e descobri que ela mora bem perto da
minha
casa, na verdade ela mora na rua de baixo e então ofereci carona. E
quando estávamos
esperando minha mãe com o carro vi Alessandra se aproximar.
- E aí? Quem você mandou mesmo
pro inferno? – Falou ela me olhando de cima( eu odiava quem fazia isso
comigo).
- Você ou tinha outra Alessandra
na sala? – Respondi rispidamente me levantando.
- Você vai se arrepender por
isso sua cretina- Foi quando começou uma ventania enorme e Alessandra
parecia
muito assustadora seus cabelos voavam para o meu lado enquanto ela se
mantia forte
naquela posição e no entanto eu tentava me manter em pé com todas
aquelas
coisas voando para perto de mim e foi quando aconteceu uma coisa mais
estranha.
Liza foi para minha frente e gritou:
- Não, pare – E o vento já não
nos atingia foi como se Liza tivesse feito um escudo, porém a ventania
continuava e parecia aumentar. Então uma
voz fez tudo aquilo parar.
- Alessandra, o que você está
fazendo? – Era Leo que falava num tom de voz bravo e ameaçador( coisa
que eu
nunca tinha visto nele) e tudo por um
segundo voltou ao normal.
- Então o protetor chegou, né? – Alessandra falou
em um tom irônico.
- O que aconteceu com você?- Leo falou enquanto ia para o
meio de nós duas, encarando ela com um tom surpreso, ele falou: Você
caiu?
- O que você acha?
- Eu não acredito, você se deixou se influenciar por Belzebu?
Você desistiu da luz?
- Não é da sua conta-
Com isso ela jogou uma forte ventania em cima de Leo, o que o fez
cair.
- Tire Esther daqui Liza – Ele gritou enquanto olhava para
mim.
- Não, eu não vou a lugar nenhum. – Falei me jogando onde
Leo estava deitado. O pátio estava completamente vazio, o que era
estranho
porque estava na hora da saída( e sempre é uma correria esse horário),
Alessandra ainda nos olhava de cima e parecia
tão poderosa agora. Aquilo acontecia muito rapidamente e tudo cheirava a
confusão
para mim. Porém, eu só tinha uma certeza: Não podia deixar Leo só.
- Vá com Liza, por favor. Eu vou ficar bem. – Ele falou
olhando para mim com olhos suplicantes.
- Eu não... – Foi quando
eu senti uma mão na minha cabeça e uma voz que sussurrava :’ Vai ficar
tudo
bem, durma agora” e depois a escuridão tomou conta de tudo.
Leonardo:
Agora que Esther estava fora de perigo minhas atenções se
voltaram completamente para Alessandra. Eu não conseguia acreditar que
ela
tinha caído, anjos nunca caem e se caem é a pior coisa que pode
acontecer tanto
para o plano espiritual quanto para o terrestre.
- Alessandra você não poderia ter deixado isso acontecer.
- Eu posso fazer o que quiser. – Foi quando senti uma mão me
levantando e pude ver sua face. Seu rosto não era mais angelical, não
tinha
mais uma aura brilhante pois agora ela era negra e intensa, ou seja, ela
havia
acabado de cair.
- Não brinque comigo. – Falei enquanto me livrava daquele
braço e a imobilizava no chão segurando seus dois ombros.- Você sabe que
sou
mais forte então pare de lutar e escute.
- Não vou escutar.- Ela falou tentando se livrar do golpe.
- Eu não irei deixar você machucar nem Esther e nem a Liza.
Não importa se você caiu, minha fidelidade é delas e do nosso Criador
mesmo que
você o tenha deixado.
- Você pode ser forte agora mas vou me fortalecer e irei
acabar com vocês. – E com isso ela desapareceu voltando para o plano
espiritual,
porém ela não voltaria para o paraíso como os anjos normalmente fazem,
mas para
sua nova morada: O inferno.
Esther:
Acordei com a cabeça latejando e minha nova amiga estava
sentada do meu lado e seus olhos estavam fechados como se estivesse
meditando.
Eu estava na sala de casa, o sofá preto de couro era confortável mas as
cores
das paredes, que antes eram brancas, estavam negras e foi então que
percebi que
todos os objetos estavam negros. A televisão, o computador, as cortinas,
absolutamente tudo estava daquela cor.
- Liza, o que está acontecendo? – Falei com uma voz bastante
assustada.
- Esther, você está bem?- Disse ela segurando meus pulsos
enquanto sentava no chão e ficava na minha frente.
- Estou, quer dizer, eu não sei. Está tudo escuro.
- Droga, isso não era pra estar acontecendo. – Ouvi Liza
sussurrar.
- O que?- Havia alguma coisa errada? Eu precisava saber.
- Nada. Tudo vai melhorar daqui a pouco... É só um efeito
passageiro.
- Cadê Leo?- O meu inconsciente me fez procurá-lo. – Cadê ele?
Liza me diz que ele está bem, por favor, eu preciso...
Foi quando escutei batendo na porta e com um pulo me
levantei e corri para abri-la. E lá estava Leo, e foi então que a
escuridão,
que antes eu via, desapareceu completamente.
- Graças a Deus que você está bem. – Falei o abraçando com
muita força. Então com uma mão ele pressionou minha cintura e com a
outra mexeu
no meu cabelo e falou baixinho no meu ouvido: “ E você também. Não
aguentaria se
estivesse acontecido alguma coisa com você.” Quando ouvi isso tudo o que
queria
era beijá-lo e eu o fiz. Quando o meu lábio encostou no dele, o mundo
sumiu e
só havíamos nós dois. Meu coração batia tão forte que pensei que ele
iria pular
pela minha boca. Nossos corpos juntos era a melhor sensação do mundo, eu
me
sentia segura, então de repente ele interrompe
o beijo e me afasta dizendo:
- Nós não poderíamos ter feito isso.
- Porque? – Perguntei incrédula.
- Porque eu sou um anjo.
- Você é
o que? – Perguntei incrédula, ele só podia estar louco.
- Eu sou
um anjo.- Ele respondeu em um tom sério olhando para o chão.
- E você
é uma bruxa. – Ouvi Liza dizer.
- Ok,
vocês todos enlouqueceram. – Concluí.
-Nós
vamos te explicar. – Leo falou. – É só ter um pouco de calma. – Então vi
que
ele se aproximava e olhava bem dentro dos meus olhos.
- Ótimo,
porque quero saber dessa história antes de ligar para alguma clínica de
loucos
e mandar internar vocês dois.
Depois
disso nós voltamos para a sala e ela já não estava tão escura como
antes. O
sofá voltou a ser cor caramelo e todos os objetos estavam na sua cor
normal.
Mas tudo que me preocupava ali era o rumo dos acontecimentos.
-Bom, eu
preciso que você tenha a cabeça bem aberta para tudo que vai escutar
agora. –Leo
disse.
-Pode
começar. Minha cabeça será totalmente aberta. – Falei em um tom irônico
sentando no sofá com Liza.
-Ok, Eu
sou um anjo, bem você não acredita ainda. Porém você sempre desconfiou,
principalmente quando eu conseguia “ler” seus pensamentos, mas na
verdade eu
nunca li seus pensamentos mas os senti. Eu sou ligado a você como seu
anjo da
guarda pois você é uma bruxa e é uma das mais poderosas da sua geração,
se não,
a mais poderosa.
- Anjo da
guarda? Essa é boa. – Falei o interrompendo.
- Mesmo
que você acha que não, você senti que sim. Mas vou contar toda a
história até
aqui e espero não ser interrompido.
“Anjos da
guarda devem ser invisíveis, os protegidos não vêem sua proteção. É
assim desde
do começo dos tempos, Deus é um exemplo disso pois ele nos mandam para
proteger
vocês e nos dá força e também da força para aqueles mortais que pedem.
Quem
acha que Ele não se preocupa está totalmente errado. Porém bruxas
possuem um
poder muito maior e esse poder pode ser usado tanto para o bem como para
o mal.
E a minha missão com você é te levar para o certo, tentar ao máximo não
te
desviar pois se você usar a sua magia para o mal as pessoas sofreriam
muito e o
plano espiritual poderia ficar desestabilizado. Há muito tempo as bruxas
foram
banidas pois utilizavam de forma errada os poderes que recebeu, sua
magia varia
do qual lado você está. Se você está do lado da luz sua magia será
luminosa e
será chamada de magia pura. Se você está do lado das trevas sua magia
será
obscura e receberá o nome de magia negra. A magia negra todas as pessoas
já
ouviram falar mas não sabem o tão ruim ela pode ser. No mundo médio
aconteceu
uma verdadeira revolução contra essas magias e que ficou conhecido como
“Caça
as Bruxas”, o ruim disso é que muitas jovens que usavam magia pura
também
morrerão. Então o mundo ficou um tempo sem novas bruxas mas isso mudou
de uns
200 anos para cá. Você é da terceira geração de bruxas e é a líder
delas.”
“ Bom,
agora vou falar da minha missão e o que ti cerca. Primeiro: você não
deveria
nem saber que eu sou um anjo. Segundo: Isso mostra que você é especial.
Terceiro: Você fez o impossível, fez um anjo caído se arrepender.”
-Eu fiz o
quê? – Perguntei mais uma vez interrompendo-o pela segunda vez.
- Erik.
Ele é um anjo caído.
-Não pode
ser. – Falei num sussurro negando a mim mesma.
-Ele se
arrependeu e agora não é mais um anjo caído e sim um imortal. Ele foi
salvo mas
terá que vagar pelo mundo até os fim dos tempos e se resistir ao mal
será
salvo. E foi você que fez ele sair das trevas. A missão dele era te
levar a
cometer sete pecados e com isso transformar sua aura em negra e
consequentemente isso faria a usar sua magia de forma errada. Alessandra
era
também sua outra protetora.
- Era? - Falei
em um tom irônico porque nada daquilo me surpreendia mais.
- Era. Só
que ela caiu pois tinha muita inveja e era ambiciosa. Há muita eras ela
invejava meu poder mas no começo era uma inveja boa mas com o tempo ela
virou
uma das mais perversas. E por causa disso ela não cresceu. Nem em poder,
nem em
espiritualidade, em nada. Muita gente
acha que Deus condenou os anjos caídos mas na verdade Deus não condena
ninguém.
As pessoas que o rejeitam. E foi isso que Alessandra fez, ela rejeitou
ao
Criador e se juntou a Belzebu, que é
como podemos dizer? O príncipe do inferno. Ele tem quase tanto poder
quanto
Lúcifer, que foi o primeiro anjo a se rebelar levando vários outros com
ele.
Ele provavelmente ofereceu tudo que ela mais queria: Poder. Então a sua
ambição
foi maior que seus princípios e ela se rendeu. – Ele falou olhando para
mim
esperando alguma reação.
-Ok, a
história é muito fascinante mas não tenho certeza se o que você está
falando é
verdade.- Aquela história parecia muito fantasiosa para ser verdadeira.
-O que está
faltando em você é fé.
Então o
vi se afastando subindo as escadas de madeira e nos olhando e do nada eu
o vi
transfigurar.Ele pareceu brilhar como o sol e suas roupas ficaram tão
brancas
que chegava a doer nos olhos e então, com uma voz serena e calma, ele
disse:
- E
transfigurou diante deles, e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as
suas
vestes se tornaram brancas como a luz. Mateus 17, versículo 2.
Voltando a sua forma normal, ele se sentou ao meu lado.
-Agora é sua vez Liza – Leo falou olhando para Liza. Com ele
tão perto de mim era uma tortura, pois ainda me lembrava de quando nos
beijamos(Quer dizer, foi eu quem o beijou). E agora ele era um anjo e
possivelmente pensar em ter alguma coisa a mais do que ser só amigos já
devia
ser considerado como um grande pecado mortal. Eu tava lascada.
- Ok, é minha vez – Foi a primeira vez que prestei realmente
atenção em Liza. Nos conhecemos hoje mas alguma me diz que teremos muito
tempo
juntas... Ela estava triste, com um olhar mais melancólico do que o de
mais
cedo, e parecia que contar aquela história não seria nada fácil. Na
minha
frente, ela começou:
“Bom, eu sou uma bruxa e eu sei que você desconfiou por eu
estar aqui com vocês e ter te defendido da ventania mais cedo. Meu dom é
o ar e
não foi muito fácil descobrir qual dom eu tinha. Diferente de você,
aprendi a
ser bruxa sozinha e só quando estava totalmente ciente meu anjo protetor
se
revelou e contou tudo. Mas antes disso minha aura estava bastante negra,
eu
estava totalmente envolvida pelas sombras e fazia coisas ruins sem
saber. E sem
saber também a obscuridade começou a tomar conta do meu corpo e da minha
alma.
Eu me cortava”
Quando ela falou isso vi que lágrimas se formavam em seus
olhos e eles, por sua vez, estavam olhando para os dois braços. E
vagarosamente
ela levantou as mangas do vestido e
tirou os terços. Foi então que vi aquelas marcas, eram diversas e todas
já
estavam brancas, o que significava que já estavam cicatrizadas e que
ficariam
para sempre. Mas o que será que teria causada tanta revolta. Liza
segurando um
soluço continuou:
“ Minha casa era um verdadeiro inferno. Minha mãe sempre
descontava tudo em mim e me jogava na cara que eu não era como as outras
meninas, que eu não era a filha que ela sonhou. E isso tudo porque
minhas
roupas, bom, você sabe, não são estilos “princesas” e “bonecas”, quer
dizer, só
se forem góticas” Ela soltou um risinho tentando aliviar o clima. “ E
tinha meu
irmão também, no começo eram brigas constantes entre mim e ele mas mãe
sempre o
defendia. Então, como ele era mais velho, acabou se envolvendo no mundo
das
drogas e como nós não tínhamos um pai,
minha mãe acabou cuidando dele. Mas por conta do estresse demasiado que
meu irmão dava, o único meio que ela
encontrou de aliviar isso foi descontando em mim. Teve uma vez que ela
rasgou
todos os meus vestidos e jogou fora toda a decoração de caveiras,
bonecas
góticas e tudo que ela não considerava “normal”, porque depois de uma
confusão entre ela e meu
irmão por conta de dinheiro, eu a pedi
para ter calma pois tudo ia dar certo.”
Com mais lágrimas nos olhos ela continuou: “ Foi nesse dia que comecei a
me cortar. Aquilo
era viciante pois a dor psicológica era substituída pela física e eu
conseguia
até sentir prazer com aquilo. Eu não sabia o tanto de mal que estava
fazendo a
mim mesma. Com o passar do tempo aquilo virou um verdadeiro vício, eu
não só me
cortava em casa mas em todos os lugares em que ia, tentava esconder de
todos
aquilo mas nem sempre passava despercebida. Foi aí que conheci o João.
Ele era o melhor amigo que você podia querer ,
mas quando começou a se meteu com os cortes dizendo que eu estava doente
e
precisava me tratar , a amizade acabou ali. Pelo menos era assim que eu
esperava,
porém ele não desistiu. Tentava me levar a igreja, a grupos e me
distraia para
eu esquecer um pouco do meu vício. Mas foi nesse tempo que minha mãe
morreu”.
Ela desabou no sofá na nossa frente e começou a chorar
desesperadamente. Eu e Leo corremos para abraçá-la e então sussurrei no
seu
ouvido: “ Não precisa terminar, vai ficar tudo bem”. Foi quando ela
levantou da
cadeira e ficando em pé, falou:
-Não, eu tenho que terminar. – e se acalmando prosseguiu:
“Quando ela faleceu meu mundo caiu de vez. Apesar dos seus
defeitos ela continuava sendo minha mãe. Foi então que fiz o corte mais
sério
da minha vida.” Então ela apertou seu braço. “E isso quase me leva a
morte. No
hospital eu me encontrava na UTI pois tinha cortado uma veia importante e
tinha
perdido muito sangue. Sem expectativas, sem mais ninguém, esperava que
ficasse
sozinha pois o parente mais próximo da família morava a dois estados de
distância e meu irmão continuava se drogando. Mas João
apareceu e ficou comigo todo o tempo e depois que sai de lá comecei a
freqüentar
grupos de oração e amar a Jesus o que, por sua vez, me levou a Deus.
Minha alma
estava se purificando e com isso comecei a sentir a magia. A magia pura
só se
senti quando sua alma está limpa ou quer estar limpa. A negra só se
manifesta
quando o bruxo ou a bruxa vão atrás dela, ou, em alguns casos, anjos
maus a
visitam e fazem com que se procurem
essas certas magias. “
“ Porém, esse não foi o meu caso. Com a ajuda do João, eu
acabei desenvolvendo bem o meu poder e descobri em qual era
especialista. Como
eu já disse: em ar. Depois de bastante tempo
ele me revelou que era um anjo e foi então que tive certeza. Seus amigos
podem ser verdadeiros anjos disfarçados. Ele salvou minha vida e sou
eternamente grata. Então ele me revelou você, Esther.”
-Eu? – Perguntei surpresa.
-Você. Você é a líder dos seis elementos portanto a líder
das seis bruxas.
-Seis bruxas? Ninguém me falou sobre isso.
- Tou falando agora. – Ela falou me olhando como se
dissesse: “Sua lesada”. – Enfim, nós temos que descobrir em que elemento
você
se especializa para podermos ir atrás das outras meninas. E nós temos
que fazer
isso antes que a profecia se realize.
- Que profecia?
-Como Leo falou: Com a caça as bruxas várias meninas que
usam magia pura também morrerão. Nossas ancestrais fizeram pactos que
consistiam em os seis elementos ficarem
juntos. Se um desses saísse outro componente do grupo morreria. E se ele
se
recusasse a entrar no grupo, outros dois bruxos morreriam incluindo ele.
- Isso não pode ser... – Falei quase sem respirar. – Então
se eu me recusar a sair do grupo outras duas pessoas morrerão,
incluindo eu?
-Nesse caso, não. Pois só quem sabe de bruxaria nessa
geração somos eu e você. Se você se recusar a formar o grupo então eu
morreria
junto com você.
-Então podemos só fazer nosso grupo e deixar as outras
bruxas no canto delas, pois assim elas nunca saberiam e,
consequentemente, não
correriam risco de vida.
- Não é tão simples. Do mesmo jeito que existem anjos bons
existem anjos caídos, e estes podem influenciar os bruxos a usar sua
magia para
o mal e com isso ela poderá consumi-los como quase fez comigo. Por isso
eu não
posso deixá-los e nem você agora.
- E porque diabos eu tinha que saber disso tudo? – Gritei e
me levantei para ir embora. Eu não pedi e nem quis tudo isso.. Eles
poderiam
ter deixado tudo em segredo e eu seguiria minha vida. Não queria ser uma
bruxa.
Então senti a mão de Leo.
- Por favor, Esther. Não se comporte como uma criança agora.
Pense na vida das outras pessoas e pare de ser tão egoísta. Tem pessoas
com
mais problemas que você e tem pessoas que podem sofrer por sua causa.
Capítulo 9: Consolada e Aluno Novo

Capítulo 9: Consolada e Aluno Novo

-Desculpa, ok? Você acha que essa história não me pegou de
surpresa? Caramba, eu sou humana, mesmo sendo uma bruxa, continuo a ser
fraca.
Olha, não estou dizendo que vou deixar vocês na mão, mas preciso de um
tempo
agora, só isso que peço. – Falei enquanto subia as escadas... Meu quarto
agora
havia um pôster dos Beatles, foi um verdadeiro sacrifício para
consegui-lo,
porém agora me perguntava como podia reclamar da minha vida antes, tudo
se
complicou tanto, tanto e tanto... “Now your nightmare comes to life”
(Agora seu
pesadelo criou vida) aquela música de Avenged fazia todo sentido do
mundo para
mim nesse instante. Pesadelos podem se tornar reais, sou a prova disso.
Fui dormir escutando Avenged e acordei com “Seize the Day”,
que é uma música linda na verdade, aproveite o dia ou morra lamentando o
tempo
que perdeu... No meio da minha viajem ouço baterem na porta.
-Erik?- Pois é, ele estava ali mais uma vez, no entanto, agora
tudo era diferente. Tudo havia mudado. Deixei meu coração de lado e usei
minha
cabeça, era o mais certo a fazer. Ás vezes, o coração não é a melhor voz
para
se ouvir.
- Sim, sou eu. Quer dizer, pode ser que um E.T invadiu meu
corpo e tomou todas as minhas funções para ficar com a garota mais bela
da
cidade. – Ele falou enquanto se aproximava de mim para roubar um beijo.
Eu
desviei.
-Eu sei de tudo. – Falei ficando de costas para ele.
-Sabe de tudo o quê?
-Que você é um anjo caído. – No instante em que falei isso
ouvi um pacote cair. Não havia reparado que ele havia trazido alguma
coisa para
mim. – Não adianta negar.- Me virei para
ele e pude ver o sofrimento e a dúvida nos seus olhos. Meu coração doeu
naquele
exato momento, porém eu seria forte. – Leo me contou, melhor dizendo,
ele me
mostrou. Sei de tudo, sei que tudo o que você queria comigo era me
iludir. Persuadir-me...
Fazer com que me tornasse uma escrava da minha magia. Como você me
enganou
desse jeito? Então, tudo não passava de uma mentira, certo?
- Errado. – Ele falou em um tom grosso e com os olhos
fechados.
- Eu não acredito em você. Que merda, eu pensei que era
real. Tudo o que quero fazer é com que suma de uma vez por todas. Não
sei o que
farei com minha vida mas sei que não quero te ter nela. – Lágrimas
caíram do
meu rosto... Eu não queria ser tão fraca.
- Eu não posso. Isso custaria minha vida. – Ele falou
sentando e colocando as mãos no cabelo.
- Ah que ótimo.. A vida de todo mundo depende de mim agora.
Isso parece brincadeira. – Falei com um sorrisinho irônico.
- Você não entende. Eu não queria ter terminado assim. Foi
um erro me juntar a Alessandra.
- Como é? Você fez o quê?- Gritei e como se jogasse toda a
minha raiva nele. Foi aí que aconteceu, minha primeira magia. Uma grande
ventania atingiu Erik fazendo com que fosse jogado contra a parede. Ele
caiu no
chão desnorteado e todo o meu quarto estava um caos, havia papeis para
todo
lado e com certeza meu pôster dos Beatles não saiu ileso. Corri para
perto de
Erik e perguntei se estava tudo bem.
- Sim, está... Desculpa por tudo de mal que te fiz. – Disse ele
se levantando e saindo do quarto.
- Não vá, Erik. Fique e desculpa por descontar toda minha
raiva em você. – Então percebi que na verdade eu nem estava com tanta
raiva
assim dele. Eu tinha raiva do que minha vida havia se transformado...
Sabia que
ele havia se arrependido e não era mais um anjo mortal. E sabia
principalmente
que ele só se arrependeu por minha causa. – Desculpa, desculpa mesmo.
Sei que
você se arrependeu e agora é só um imortal... Mil desculpas... - Comecei
a
chorar descontroladamente e senti seu abraço e seus sussurros me dizendo
que ia
ficar tudo bem. Então nos seus braços percebi que tinha que me levantar.
Eu
iria ajudar meus amigos. E iria fazer isso o mais rápido possível.
Descendo as escadas percebi que ninguém estava ali , então
me despedi de Erik e fiu dormi com o mp3 ligado. Quando acordo ta
tocando
Pitty:
“Seja você mesmo que
seja estranho. Seja você mesmo que seja bizarro,bizarro, bizarro.”
Pois é, agora aquilo significava muito para mim, mas quer
saber? Ser uma bruxa não devia ser tão horrível assim... Caramba, eu
podia
fazer magia, isso irá facilitar minha vida. Vou fazer isso: Procurar o
lado bom
das coisas, com isso, evitarei sofrimentos desnecessários. Peguei
uma blusa preta com manga( na qual
dobrei até o cotovelo) e um pouco apertadinha, um short mais folgadinho e
uma
botinha sem salto, passei um pouco de lápis preto e brilho labial, me
despedi
da minha mãe e sai. Não se porque estava tão feliz mas só sei que aquela
felicidade era boa. Ser feliz é bom. Hoje fui a pé, aproveitando o
máximo das
coisas, o máximo da paisagem.
- Oi, princesa. – Alguém falou atrás de mim.
- Olá – Falei me virando. Era um garoto alto, branco,
cabelos bem pretos e olhos castanhos claros, estava sorrindo e por isso
tinha
duas covinhas, ele era bem bonito na verdade e charmoso. Então ele veio
até a
mim.
- Indo para a Sebastião Neto, também?
-Sim.- Respondi com um sorrisinho.
- Então tenho uma companhia. – Ele falou andando do meu
lado.
- Ah nem perguntei... Qual é seu nome? – Perguntei enquanto
andávamos.
- Meu nome é Sertick mas Sert para os íntimos – Falou com um
sorrisinho de lado.
- Sertick? Que raio de nome é esse? – Perguntei segurando a
risada.
- Não sei, acho que minha mãe estava bem drogada quando
escolheu esse nome.- E tínhamos acabado de chegar na escola, então vi de
longe
Liza. Ela estava com o visual gótico de sempre porém ela tinha uma
pequena cartola
bem bonitinha presa a uma tiara. Então se aproximou de nós e fez uma
cara bem
esquisita quando viu Sert.
- Bruxo? O que você está fazendo aqui? – Falou em um tom de
desconfiança.
- Bruxinha – Falou abraçando ela. – É bom te ver também.
- Vai pro inferno. – Falou afastando ele – Você devia estar
morto.
- Eu falei que não iria morrer tão cedo. – Disse e apertou a
bochecha de Liza.
- Pare com isso ou ta
difícil? – Liza disse batendo na mão dele.
- Você sabe que adoro te deixar irritada. Você fica tão
bonitinha. – Falou ele com o sorrisinho de lado.
- Vá pro inferno. – Resmungou ela ficando um pouco vermelha.
- Desculpa, interromper a briguinha de namorados mas de onde
vocês se conhecem? – Perguntei.
- Ele é um bruxo. – Falou Liza.
- Que ótimo Liza, obrigada. – Falei com raiva, acho que
deveria ter direito de saber que ela conhecia outro bruxo.
- Não te contei antes porque não sabia se ele estava vivo. -
respondeu ela.
- Pois é, ela duvidou de mim. – Disse Sert. – Eu disse que
sobreviveria.
- Sobreviveria de quê? – Perguntei.
- Dos demônios. – Falou ele tirando um cigarro do bolso.
Pois é, esqueci de comentar mas ele tinha cabelos nos ombros, usava
jaqueta de
couro preta( daquelas estilo motoqueiros), uma camisa com o símbolo do
anarquismo( Um A arredeado e vermelho), calça jeans azul( um pouco
justa) e um
coturno de cano baixo preto. E sem falar que ele tinha um bom físico. –
Gostou do
que viu?- Ele perguntou, com certeza tinha visto minha conferida com os
olhos e
com isso me deixou meio( muito) sem graça.
- Demônios? Como assim? – Perguntei, mudando de assunto.
- Ele queria aumentar seu poder, arriscando a própria vida. –
Liza respondeu com um tom de mágoa.
- E você conseguiu? – Perguntei a Sert.
- Não, mas aprendi a controlar o que já tenho.
- Como? – Perguntei por fim.
- Sendo um semi-morto se aprende tudo.





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