segunda-feira, 14 de maio de 2012

Olhos vermelhos


 Você não consegui me ver como te vejo. Nunca vou conseguir te ter como você me tem. Nunca vou conseguir fazer você me amar como te amo. É uma prisão sem fim. É estar presa por vontade. É amar quem te sufoca. É estar lá, num sonho, num delírio. Como Camões citou: É ter com quem nos mata lealdade. É um querer desgraçado, é um sonho impossível. É se machucar por teimosia. É insistir no irreal. Mas mesmo assim resistir, continuar acreditando. Tendo fé que talvez aconteça. Talvez se torne real. Talvez deixe de ser um sonho. Talvez seja palpável. Só talvez. 



Com certeza estava delirando.  “Olhos vermelhos”, minha cabeça não estava nada boa. Dei mais uma olhada em Liza, ela continuava serena, me aproximei e sussurrei que tudo iria ficar bem e saí. Precisava respirar.
Atravessei a porta e voltei a fitar o corredor vazio. Procurei não encontrar os meninos no corredor, pois conseguiria evitar interrogatórios desnecessários. Passando pela recepção reparei que aquele lugar continuava quieto, quieto demais até para um hospital, cheguei ao estacionamento e, mesmo que houvesse vários carros, incluindo ambulâncias, estava com uma aparência deserta. Aproximei-me dos carros e admirei a lua. Era lua cheia, a minha preferida, e comecei a pensar em Liza e reparar em como despertava em mim um instinto de proteção, nunca havia notado isso, mas quando a vi imóvel e pálida como se estivesse morta, uma dor passou por mim e agora é como se tivesse obrigação de ajudá-la.
Talvez esse “instinto” seja uma forma de expressar o susto que senti. Pois não consegui entender que merda teria acontecido para Liza se cortar, não depois de tudo que ela nos contou, da história de superação e tudo mais.  Só tenho certeza de uma coisa: Os cortes não voltariam sem um motivo muito grande.
Sert.                                         
Ele seria incapaz, eu acho.
Mas eles brigaram.
E daí? Todo mundo briga.
Ele está com medo.
Lógico que ele está com medo. Quem não tá?
Caramba, eu só posso estar louca. Discutindo comigo mesma. Talvez, realmente, eu preciso me alimentar.
Tik
Som de um passo e senti meus pelos se eriçarem.
Tik. Tik. Tik
De repente tudo ficou escuro e vi olhos se materializando, mas não erma qualquer olhos. Eram aqueles olhos. Olhos vermelhos raivosos. Único ponto de luz na escuridão.  Estavam ficando maiores, maiores, maiores...
- Esther? – Ouvi uma voz conhecida me chamando e, num segundo, tudo estava normal de novo.  Então vi Sert me olhando com uma cara de preocupação. – Está tudo bem?
- Sim, está. – Respondi virando o rosto e me perguntando que merda tinha acontecido comigo.
- Posso sentar aqui? – Falou me tirando do transe e apontando para o lugar vazio do meu lado.
- Claro, a rua é pública. – Respondi com um sorriso.
- Ok, então vou me sentar- Enquanto ele sentava pude ver as olheiras e o ar de cansaço impregnado naquele rosto.
- Ei, nem vou perguntar se você está bem porque é perceptível que não. Vá para casa e descanse, posso ficar com Liza hoje. Ah, e sem contar que Leo é um anjo, então ela estará segura.
- Não posso. – Respondeu ele deitando no chão e encarando a lua.
- Por quê?
- Você deixaria Leo? Mesmo sabendo que ele iria ficar seguro? Digo... Nas mesmas condições de Liza. Você o deixaria? – Aquela pergunta me pegou de surpresa e percebi que nunca deixaria Leo se ele estivesse fraco, mesmo sabendo que outras pessoas cuidariam melhor dele do que eu.
- É você tem razão. – Falei me deitando também e encarando a lua. - Você tem toda razão.
- Eu sei. - E virando pra mim com um sorriso- Ah, está rolando um duelo de machos entre Leo e Erik lá na lanchonete.
            Leo:

- Vamos Sert. Reaja, Deus vai cuidar dela. Não se preocupe. - Falei deixando Esther no quarto de Liza e saindo com Sert. Pude sentir que Esther estava profundamente triste, eu queria ficar com ela, mas ela estava precisando de um tempo para si mesma.
- Deus? Deus? Não me fale de Deus. Se ele fosse tão bom assim, ela estaria salva e não numa cama de hospital. – Sert chamou minha atenção. - Ela está em coma. – Gritava ele.
- Mas não morta. – Falei em um tom tranquilizador, dons de ser um anjo.
Então ele desabou no corredor do lado da porta e começou a chorar.
- Eu sei me desculpe... Quero acreditar que Ele está cuidando dela. Mas é muito difícil – Disse enquanto lágrimas surgiam no seu rosto.
- Ele vai te ajudar agora. É só ter fé. Ele sabe o que faz. – Falei sentando ao lado dele no chão.
- Leo... Bom, Leo. Cadê Esther? – Falou Erik com um tom irônico.
- Está lá dentro com Liza. – Falei enquanto me levantava e ajudava Sert a fazer o mesmo.
- Ah, vou entrar. Já está na hora da gente ir. - Falou ele passando por mim para tentar entrar no quarto.
-Você não vai entrar aí. – Falei segurando a fechadura da porta, impedindo-o de entrar.
- E quem vai impedir? – Ele falou com um sorriso sarcástico e continuou forçando a fechadura. Porém, eu era mais forte.
- Por favor, não briguem. Liza está mal e Esther precisa de um momento com ela. Não façam nada para perturbá-las. Por favor. – Sert disse se colocando entre nós. Seu tom era de tristeza e esgotamento.
- Em consideração a você não farei nada. – Falou Erik soltando a fechadura.  - Então, garotos vamos tomar alguma coisa? Calma, estou falando de refrigerantes antes que certos anjos se sintam extremamente ofendidos, pois, pelo que sei anjos não podem tomar nada pesado.
- Nós podemos tomar bebida alcóolica se é isso que está tentando dizer, só não podemos exagerar e virar viciados como os seres humanos geralmente fazem.
- Sorte que não sou um ser humano. – retrucou com um sorriso de maldade nos lábios.
- Ok, Esther não está aqui e eu não preciso ver disputa de quem é mais “homem” aqui. Então vamos para lanchonete porque preciso de uma bebida - Falou Sert com um ar mais leve no rosto.
- E de comida. – Falei tentando aliviar o clima. Se é que isso era possível.
- Eh, isso também. – Falou ele fazendo uma cara de que não gostou muito da minha sugestão.
Então fomos para lanchonete. Conversamos o básico. Sert comeu um pouco, mas nada que pudesse chegar perto de uma refeição decente.
- Ei, vou dar uma volta. Volto depois. – Falou Sert se levantando da mesa.
- É, refrescar as ideias pode te fazer bem. – Falei dando-lhe um sorriso de encorajamento.
- Lembre-se: Solidão, ás vezes, é o melhor remédio. – Disse Erik também com um sorriso falso.
Sert se despediu e foi. Erik estava ali do meu lado, me encarando. E com um sorriso perguntou:
- E aí, Leo? A vida não vai tão boa, né? Uma das suas protegidas está lá numa cama de hospital. E a outra... Bom, a outra está comigo. – Acrescentou abrindo mais ainda o sorriso.
- Não vamos continuar essa discussão.

-Hum... Compreendo porque não quer falar sobre isso. Entendo como é ruim desejar algo e não poder tê-lo. Ops, acho que cometi um engano. Na verdade, não sei o que é isso. Na verdade, sempre tive o que quis. - Falou Erik abrindo uma garrafa de coca que se encontrava ao seu lado na mesa .
- Não sua salvação, certo?- Sabia que aquele era um assunto que o irritava. Na verdade, Erik sempre quis ser um anjo. Diferente dos outros ele nunca caiu, ele sempre foi. Tentava um jeito de conseguir se levantar e virar “puro”, porém sua natureza sempre foi má. Livre-arbítrio existe, mas para quem nasceu do plano espiritual ela praticamente não exerce função. Raramente ocorre, este é o caso de quem cai, e é duplamente difícil um anjo negro natural se “levantar”, pois o pecado uma vez consumido é difícil de largar.  E para naturais o pecado é triplamente prazeroso. E Erik amava o pecado, tentou uma, duas, três vezes largas essa “vida”, mas não aguentou a abstinência. Era um preço caro demais pra pagar. Pelo menos, era o que achava. Até hoje.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sentimento de perda



Dica: Leia esse capítulo escutando Hello ou My Immortal de Evanescence.



- Como é? – Perguntei já desesperada.
- Vai dar tudo certo. – Disse Erik me segurando pelos ombros.
- Podemos ir lá? – Falei com uma lágrima nos olhos.
- Sim, eu levo vocês. – Disse Erik se retirando. – Ah cuida dela Leo enquanto pego o carro.
- Claro. – Respondeu Leo, queria ter dito que não precisava de ninguém, porque não era nenhuma criancinha, porém estava fraca, não fisicamente, mas psicologicamente.
Então saímos e entramos na grande alegoria que Erik chamava de carro, passamos o tempo todo em silêncio. No caminho pensei em como Sert devia estar destruído, não sei o que aconteceu com eles, mas tenho medo que tenha influenciado nessa decisão de se cortar, que merda, ela havia se recuperado e agora estava no hospital correndo risco de vida.
- Chegamos- Disse Leo para Erik, eles pareciam estar dando uma pausa nas brigas e me ajudando. O hospital era enorme, e não havia filas e nem muitas pessoas, tudo parecia bem calmo, então deduzi que só podia ser particular.
Entramos e lá dentro era puro requinte, havia duas televisões grandes e de plasma, dois sofás brancos em frente a ela, uma mesinha com várias revistas e ao redor vários corredores que indicavam quantas salas tinham lá.
- Esther espera um pouco no sofá enquanto peço informações e pergunto se podemos entrar.- Falou Leo.
- Claro. – Respondi sentando no sofá.
- Ei vai dar tudo certo. – Falou Erik sentando do meu lado. Era bom ter alguém comigo, então coloquei a cabeça encostada em seu ombro e fiquei fitando o vazio.
- Vai dar tudo certo. – Continuou repetindo enquanto fazia carinho na minha cabeça.
- Pronto, podemos entrar. Sert já está lá dentro. – Disse Leo se aproximando.
- Já? E como ele está? – Perguntei limpando uma lágrima.
- Ele está bem, quer dizer, um pouco destruído emocionalmente.
- Eu imaginei. – Respondi por fim.
Ele disse que só podia entrar duas pessoas por vez, então Erik ficou e Leo me acompanhou. Os corredores eram brancos e vazios, era como se tudo ali aparentasse tristeza, raramente passava um médico por ali, irônico porque estávamos em um hospital. Então chegamos no quarto 777, o número onde Liza estava internada. Como imaginei a fachada desse quarto era igual aos das outras salas, pintura branca com uma porta da mesma cor e os número pintados de preto, uma pequena janela ao lado com uma cortina, o que deixava quase impossível ver quem estava dentro. Então respirei e bati na porta.
Sert a abriu e seus olhos estavam inchados e um pouco avermelhados, então não pensei em nada e só o abracei. E ficamos ali muito tempo, como se compreendêssemos a dor do outro, e eu sabia que a dor que Sert estava sofrendo era muito maior que a minha, então ele chorou. Foi um choro aterrorizado e que trazia uma dor infinita, meu coração doeu junto e não aguentei, chorei também. Ficamos uns 10 minutos abraçados.
- Como ela está? – Perguntei quando nos soltamos.
- Não sei. – Ele respondeu com uma voz trêmula e com outra lágrima se formando.
- Sert vamos deixa-la aí e venha comigo tomar alguma coisa, respirar. – Leo disse para Sert, com uma misericórdia própria dos anjos.
- Não posso deixar Liza. Ela está assim por culpa minha, eu não deveria ter voltado, eu que deveria estar nessa cama de hospital e não ela.
- Não fale assim, você sabe que não teve culpa. – Disse Leo. – Vamos, vai ser melhor, dê um tempo para Esther.
Então Sert olhou para mim e fez um aceno com a cabeça e saiu. Continuei olhando para porta sem ter coragem de me virar. Minha amiga estava ali atrás de mim, inconsciente, quase sem vida e não tinha como fazer nada para ajudá-la.
Respirei pela décima vez e me virei. Seus olhos estavam um pouco arroxeados, sua pele estava muito pálida, sem nenhuma cor, sem nenhuma vida, seus lábios estavam com um leve ressecado, ela estava vestida com um vestido branco rendado, simples, mas lindo. Os terços não estavam mais nos seus pulsos, invés deles estavam vários curativos e um soro na parte da frente da mão, mas os terços continuavam nela, estava nas duas mãos como se ela estivesse segurando e no seu pescoço, ela respirava pouco e esse era o único sinal de que ainda estava viva. Seus cabelos caiam sobre o vestido e pareciam mais negros do que antes, talvez fosse por conta da sua palidez. Liza estava com uma aparência calma e serena, ela parecia um anjo.
Eu queria abraça-la, queria pedir perdão por ter gritado com ela no treino, mas na verdade queria que ela se levantasse e voltasse a ser o que era antes.
- Liza me perdoa. – Disse beijando sua testa e segurando sua mão. – Me desculpe por ter gritado com você, me desculpe por qualquer coisa que eu tenha feito, por favor se mantém forte. Você é especial, na verdade é minha única amiga agora. Sert está sofrendo tanto. Ele te ama, não sei o que aconteceu, mas ele te ama. Te ama muito. Vou rezar para você, isso mesmo, irei rezar, não só agora mas sempre, até que melhore. – Disse com o coração apertado. Então me sentei na cama e continuei olhando-a, ela parecia tão calma... Será que era isso que representava a morte? Ter calma? Ficar em paz? Nunca acreditei nisso mas em vê-la percebi que talvez fosse verdade.
Buum.                    
- aaaaaaah – Gritei quando ouvi um barulho e vi uma sombra do lado de fora do quarto. Na parte da janela que estava fechada com a cortina. Olhos vermelhos. Só isso que consegui captar.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Surpresas




A aula como imaginei foi um verdadeiro saco, Liza fazia muita falta e eu era uma retardada por não perceber antes que Leo havia mudado de sala. Eu sou uma antissocial de primeira linha, talvez o fato de ter brigado com Alessandra, que era bem popular, possa ter influenciado há não ter mais nenhuma amizade, mas quer saber? Eu não ligo, posso me virar sozinha mesmo. Na saída perto do estacionamento vejo um carro, mas não era um carro como todos os outros que estavam lá, ele era prata, tinha um toque de realiza, parecia àqueles carros tirados de filmes, grande, mas nem tanto e com vários detalhes em prata como seu símbolo e ainda possuía um teto solar, seus vidros eram fumês, ou seja, não dava para saber quem estava lá dentro. E aquilo virou uma atração na escola, quase todos os alunos ficaram parados fazendo mini círculos ao redor e cochichando sem parar, até eu, que não sou muito de ter esse tipo de comportamento, estava babando por aquele veículo.

- Então, vai entrar?- Perguntou o dono do carro, abaixando o vidro e sorrindo para mim, então eu vi uma comoção geral, ninguém acreditava que ele estava falando comigo e nem eu mesma acreditei. – O que foi Esther? – Quando ouvi meu nome olhei direito para quem estava dirigindo aquela alegoria( porque aquele carro estava chamando mais atenção do que uma escola de samba) e quando me dei conta de quem era, gelei no mesmo instante.

- Erik?- Falei praticamente com a boca aberta, ele estava completamente lindo, era como sua beleza se destacasse mais do que o carro, no qual a competição era muito difícil.  Então parece que todo mundo olhou também para quem estava dentro do carro, e outra comoção se iniciou e dessa vez vi muito mais a reação das meninas, porém era óbvio que isto aconteceria, pois Erik não é e nunca será de se jogar fora, ao contrário, ele era o tipo de garoto que se apresentava a sua mãe e ao mesmo tempo matava suas amigas de inveja.

- Você não me reconhece mais? – Falou abrindo um sorriso enorme, eu pude jurar que vi alguém suspirando atrás de mim, ok, isso estava ficando muito estranho. Era como se eu estivesse num daqueles besteiróis americanos. Mas onde Erik queria chegar com esse exibicionismo todo? Então ele saiu do carro e ainda sorrindo pegou minha mochila enquanto eu continuava em choque. Ele realmente estava bonito, usava uma blusa verde um pouco solta e com um caimento perfeito que destacava seu belo físico, uma calça skinny que mostrava o quanto ele era bem dotado e como sua malhação estava em dia e um sapato discreto, seu cabelo caia um pouco sobre o rosto dando-lhe um charme a mais.

- Você está bem? – Perguntou ele interrompendo meu transe.

- Si-im. – Consegui dizer recuperando meu fôlego e dando-lhe um sorriso.

- Que bom, por um momento achei que você teria um infarto. – Disse beijando minha testa. – Tenho uma surpresa para você.

- Mais? – Perguntei, não será que já era demais o que acabei de passar?

- Sim, mais... Sempre mais para você. – Falou ele enquanto nossa pequena conversa virava assunto nacional, não desconfio nada se alguém vier me entrevistar amanhã.

-Ok, pode parar com suas frases feitas. – Falei para ele indo para o carro, enquanto via a 
cara de susto de todos, principalmente das desocupadas e sem macho que estavam lá, quando dei as costas para ele e fui direto para o carro. Não sei o que estava me deixando irritada, mas tenho quase certeza que era aquele exibicionismo desnecessário.

- Desculpe. – O ouvi sussurrar enquanto me acompanhava. Realmente aquele carro era impressionante e parecia mais majestoso ainda quando se chegava mais perto, desmentindo o que disse antes, aquele carro era com certeza enorme. Então percebi que estava sendo uma idiota com Erik, afinal ele não havia feito nada, só vindo me buscar com um carro, mesmo não sendo um carro normal era só um carro. Então enquanto estava parada pensando nisso e olhando aquele veículo, Erik passou por mim e abriu a porta do carona e soltou um sorrisinho tímido e medroso que me fez sentir pior do que já estava.

- Hum... Erik- Falei me aproximando mais dele.

- Sim? – Disse com uns olhos de cachorro abandonado, o que ficava muito bonitinho nele.

- Obrigada. – Falei chegando mais perto e colocando meus braços em volta do seu pescoço e lhe dando um beijo rápido.

- Você é muito bipolar, sabia?-  Falou afagando minha orelha com seus lábios e pressionando um pouco minha cintura.

- Eu sei. – Falei desfazendo o abraço e entrando no carro. Se estava impressionada com o carro pelo lado de fora, dentro é mais assustador, tudo era feito de couro e havia aparelhos de DVD, lâmpadas fluorescentes, mini bar, além de que, a maioria das coisas lá dentro funcionava a base de touch screem.

- Tenho até tempo até 14h porque hoje tem treino. – Falei quando ele entrou sentou no banco do motorista.

- Sério?

- Seríssimo.

- Isso é um inferno, sabia?

- Não, isso é o mundo. – Falei sorrindo.

Passamos o resto do passeio de carro em silêncio e aquilo me incomodava um pouco, não é que não gostasse do silêncio, mas ali estava em um clima bem tenso. Chegamos no Label Restaurant, aquilo era um dos restaurantes mais caros da cidade parecia que até respirar lá dentro tinha um custo. Quando entramos foi como imaginei, mesas em fileiras decoradas com seda de cor vinho, taças e varias colheres e facas em cima delas, garçons devidamente fardados e um anfitrião muito simpático que nos conduziu a nossa mesa. Onde sentaríamos era um lugar afastado de todos e que possuía até um tipo de cortina para nos dá intimidade. Aquilo estava muito doido, muito mesmo, me sentia como se fosse ser pedida em casamento a qualquer hora.

- Você não gostou do restaurante?- Perguntou Erik com uma cara de cachorro abandonado quando sentamos.

- Não é que não gostei, o problema é que isso aqui é formal demais e... espera. Você vai me pedir em casamento?- Falei com cara de assustada. Erik começou a rir de mim – Ok, isso não teve graça- Falei fazendo biquinho.

- Quem disse?- Falou ele rindo novamente. – Não, eu não vou te pedir em casamento, eu vim, na verdade, terminar o nosso namoro.

- Como é? Você vai me buscar com aquele carro na escola, chama atenção de todo mundo, faz um mini circo para todos nos notarem, me leva a um restaurante onde uma refeição custa quase o meu closet todo, você faz tudo isso para me dar o fora? É isso mesmo, ou estou me drogando e imaginando coisas? – Falei contrariada.

E ele começou a rir da minha cara de novo.

- Você está vendo alguma palhaça aqui?

- Não. – Respondeu ainda rindo.

- Ah, vá pro inferno. – Falei me levantando para ir embora.

E senti que ele puxou meu braço numa força em que acabamos um bem perto do outro.

- Eu estou terminando por você, quero que esteja segura quando formos namorar mesmo, quero te conquistar, quero que pensem em mim. Quero dormir tranquilo sabendo que está dormindo tranquila também, pois sei o quanto sofre pensando que está traindo-me porque está comigo e pensando noutro cara, e é por isso que estou terminando tudo.

- Porque você tem que ser tão perfeito? Sinto-me um lixo perto de ti... – Disse praticamente com raiva de mim mesma, queria me obrigar a gostar dele, e só dele. Coração porque você não pode me obedecer? Inferno, eu achando que teria uma vida fácil... Porque eu fui pedir para me apaixonar mesmo?

  - Eu não sou perfeito, só estou apaixonado.

- E as mina pira no romantismo. – Falei rindo.

- Só você mesmo para acabar com o clima romântico.

- Eu sei, sempre faço isso.

- Posso te beijar?

- Não deveria nem ter pedido. – Então seus braços envolveram minha cintura e nossos lábios 
encostaram, foi quando ouvi alguém gritando meu nome.

-Esther? Cadê você? – Ouvi a voz de Leo praticamente gritando no restaurante, então sai do abraço de Erik e fui atrás de Leo.

- Você está louco? – Perguntei vendo-o desesperado.

- Aconteceu uma coisa muito grave.

- O quê?

- Liza.

- O que tem Liza? – Perguntei começando a me preocupar.

- Está no hospital. - Respondeu Leo.

- Como assim? O que houve? Responde-me Leo.

- Ela.. ela.. se cortou e acabou fazendo um sangramento enorme, ela cortou uma veia importante e perdeu muito sangue.

- Ai Meu Deus.

- Ela está em estado grave, talvez corra risco de morte.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Confusões






Diário:                                                                             My Life

Já faz muito tempo que não passo por aqui. Sinto que muita coisa aconteceu... Caramba, eu virei uma bruxa e ganhei um namorado. Estranho, né? Antes eu possuía uma vida completamente normal e agora sou capaz de levitar moedas. Ganhei uma amiga nova: Liza e com ela veio um bruxo muito esquisito, um pouco charmoso e que tenho certeza que já teve um rolo com ela.
Resolvi dá uma chance para Erik e passamos boa parte da noite assistindo filmes e mais filmes enquanto nos melávamos de chocolate( pois é, eu nunca disse mas sou viciada em chocolate) e ele ficava bêbado com coca.  Fiquei impressionada com o tanto de  besteira que ele falava:
‘Você”
“O que tem eu?” Falei
“Vai ser minha mulher”
“isso parece letra de forró”
“Por você eu viro até dançarina de cabaré”
“O que tem a ver isso?”
“O mundo... Eu, você... Juntos para sempre.. E lá, e lá, e lá...”
“Você está completamente bêbado”
Mas mesmo eu dando uma chance ao Erik, ainda sinto muita coisa pelo Leo e isso me mata ... Quer dizer, meus sentimentos são tão confusos que nem sei o que realmente sinto por ele. Agora ele é meu anjo da guarda, “ Você têm os olhos de Axl””Oh pequena não faz assim” essas frases não saiam da minha cabeça( mesmo a primeira sendo muito podre).
Bom esse foi um resumo dos meus dias sem você. Então vou tentar te escrever periodicamente, eu escrevi: Tentar. Então não é uma promessa. Até mais.



Terminei de escrever e já era bem tarde. O feitiço de indução  que Sert jogou na minha mãe teve um ótimo efeito, ela até trouxe mais besteiras para comer. Além do mais, Erik foi uma ótima companhia, ele e seu jeito de gente bêbada me faziam rir e esquecia o mundo um pouco, porém ele não me beijou nenhuma vez. Só encostou nos meus lábios com um pouco de pressão quando lhe falei o que pretendia, quais eram meus sentimentos e o que teria que fazer para ficar comigo.
Leo me mandou duas mensagens perguntando como estava e se tinha brigado muito com Erik e tive que as responder com muito cuidado(muito mesmo) para Erik nem desconfiar. Estou perto da janela(recém-feita) do meu quarto. A lua está gritante e suas cores mais nítidas, é como se pudesse tocá-la, nunca rezei antes mas tive que fazê-lo. Pedi proteção e lucidez,  depois tomei meu descanso necessário e tive uma noite tranquila, sem sonhos.
De manhã minha mãe havia saído, o que era bem estranho, e deixou um dinheiro para pegar o táxi mas preferi ir andando. Era bom andar sozinha e principalmente pela manhã, era como se pudesse tirar um tempo para pensar na vida, sei lá, talvez eu gostasse do céu sem muito sol e com uma temperatura agradável.
- Esther- Ouvi a voz de Sert – Me seguindo? É isso mesmo? Olha que não quero problemas com um anjo.
- Claro que não, além do mais, é você que está me chamando.
- Eu moro por aqui. – Falou ele ficando do meu lado. Ele era bem o estilo de Liza mesmo: Meio gótico. Usava cabelos pretos e na altura dos ombros e roupas sempre com correntes e calças apertadas, ás vezes com um casaco( não é o caso de hoje pois ele está só com uma blusa preta) e sempre de coturno. Eu não gosto muito do estilo mas admito que dá para se sentir atraída por ele.
- O que está pensando? – Perguntou ele enquanto andávamos .
-Nada.
- Quem nada é peixe, então fale logo.
- Eita que você desenterrou uma expressão.
- Fala.
- Você e Liza. O que são vocês?
-Pessoas?
- Você entendeu. – Falei um pouco contrariada.
- O que quer saber exatamente? – Perguntou ele sendo bem expressivo.
- Vocês namoraram?
- Talvez.
- Foram amigos?
- Os melhores.
- E o que aconteceu?
- Estraguei tudo.
- Como assim estragou tudo?
- Se importa se não falarmos nisso?- Perguntou ele numa voz bem triste e então percebi que nem devia ter começado o assunto.
- Tudo bem e desculpa por ter me metido em uma coisa tão pessoal. – Disse me desculpando.
- Está tudo bem.
- Chegamos. – Falei avistando a minha escola.
- Hoje tem treino?- Ele me perguntou.
- Acho que sim, não tenho certeza... Vou perguntar a Liza para saber melhor.
- Ok e depois me avisa?
- Claro.
- Está bem e até mais- Vi ele indo pelo caminho oposto para chegar a sua sala. Afinal de contas, ele não era uma pessoa tão ruim assim.
Fui para minha sala e percebi que Liza havia faltado, o que me deixou bem triste porque ela era praticamente a única pessoa da sala com que falava. Então o dia seria duas vezes mais chato.
- Olá. – Disse Leo na hora do intervalo sentando na minha mesa.
- Oi. – Respondi olhando pro sanduíche.
- Aconteceu alguma coisa?
- Não, está tudo bem. – Respondi-Espera, você não era da minha sala?
- Só foi perceber isso agora?
- Eu não te vi lá desde muito tempo.
- Me trocaram de sala.
- Porque?
- Porque eu era envolvido amorosamente com Alessandra.
- Ah claro... Tinha que ser. – Falei um pouco rústica.
- Você está estranha e nem olhou para mim nenhuma vez desde que sentei. – Percebi que era verdade, passei o tempo todo encarando meu sanduíche.
- Olá turma. – Sert sentou na mesa um pouco menos deprimido. – Cadê a bruxinha?
- Ela não veio. – Respondi enquanto sentia os olhos de Leo em cima de mim, me analisando e aquilo estava me deixando com um pouco de raiva.
- Sabe o que aconteceu com ela? – Perguntou Sert em um tom preocupado.
- Não faço a mínima. –Respondi.
- Ela estava com você ontem, certo? – Disse Leo se voltando para Sert e tirando aqueles malditos( mas lindos) olhos de mim.
- Certo, mas ela saiu correndo. – Respondeu ele.
- Por quê? – Perguntei
- Coisas. – Respondeu ele.
- Ok, isso não ajudou em nada. – Falei.
- Eu tentei beijar ela.
- E porque fez isso?- Perguntei mas me arrependi no mesmo instante quando olhei sua expressão. Seus olhos estavam uma mistura de raiva e dor, conflitos e dúvidas rondavam aqueles olhos e pude ver um toque de arrependimento também. – Ok, não precisa responder.
- Eu sinceramente não sei por que fiz aquilo. – Falou Sert e pude ver que os olhos que me encaravam antes se voltaram para mesa.
- Você a ama e quando se ama, se faz besteira e a razão se perde. – Leo disse enquanto nossos olhares se cruzavam e desvio mais uma vez olhando para o sanduíche, não queria olhar para aqueles olhos que poderiam me magoar mais uma vez.
- Alguém sabe onde ela mora? – Perguntei, mudando de assunto.
- Sim, eu sei. – Respondeu Leo.
- Então vamos lá hoje pois ainda quero treinar.
- Por mim tudo bem. – Disse Sert com um sorrisinho.
- Por mim também.- Leo falou.
- Então todo mundo lá em casa umas duas horas da tarde. – Eu disse.
- Tudo bem e hoje aprenderemos indução. – Sert comentou com um sorriso maior ainda, acho que saber que ainda verá Liza hoje o deixou feliz.
- Perfeito. – Queria muito aprender indução porque sapatos, CDs e roupas me aguardavam.
Tocou o sinal e nos despedimos. Pois é, o dia não seria tão ruim assim.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Discussões



                             


Sert:

E eu a vi correr como sempre faz quando está com medo. Eu conhecia bem aquela garota e nunca quis fazer mal a ela mas acho que acabei fazendo no final das contas. Mas será que não merecia um perdão? Eu quase morri por ela. Quase morri.  Enquanto andava lembrei-me da primeira vez que conversamos, Liza estava tão linda, sempre de gótica, mas linda e usava aqueles terços que me deixava fascinado na época (e ainda me deixam hoje em dia, mas não me pergunte por que) 
- Sert?-  Escutei alguém me chamar e quando olhei para trás vi uma mulher, mas não era qualquer mulher, era uma mulher muito sexy, tinha cabelos vermelhos e longos com cacheados na ponta, olhos verdes com um pouco de delineador  e sua boca estava com um batom bem vermelho, usava uma calça bem colada com uma blusa que deixava boa parte dos seus seios á mostra e que só ia  cobria metade da barriga. Como eu posso ter esquecido que conhecia uma mulher dessas? Só podia ser muito louco mesmo.
- Sim, sou eu. – Disse enquanto me aproximava, ela estava debaixo de um poste perto de uma quadra de basquete sendo que era quase de noite  e ficando mais próximo dela percebi que fumava.
- Quer um?- Falou enquanto andava na minha direção me fitando com aqueles belos olhos.
- Sim, obrigado. – Respondi, fazia tempo que não fumava e  estava precisando. – Te conheço de onde?
- Ah você não me conhece ainda.
- Ok, então qual é seu nome?
- Alessandra.

                             Esther:

- O que você acha? - Falou ele voltando àqueles belos olhos azuis para mim e colocando um sorrisinho de lado.
- Eu não sei Leo. – Respondi olhando para latinha de coca e querendo fugir dali, eu sabia muito bem o que ele queria falar, mas era tão vergonhoso e então ele segurou minha mão.
- Eu sei que você sofre, eu sinto. Mesmo que talvez você nem perceba. Olhe para mim. – Olhei para aqueles olhos cheios de compaixão, compaixão que não encontraria em nenhuma pessoa, por isso ele era um anjo, era sua função ser uma das mais belas criaturas.
- Me perdoe... Eu não queria pensar assim. – Disse deixando uma lágrima cair.
- Oh pequena não faz assim. – Então ele se levantou e me abraçou. O mundo podia cair naquele momento que não sentiria, nos seus braços me sentia protegida, me sentia especial então me lembrava que nunca poderia ter ele para mim. Era impossível. Ele era um anjo e eu apenas uma humana, uma humana bruxa, mas mesmo assim apenas uma humana. Eu não duraria muito e ele duraria para sempre.
- Estou atrapalhando alguma coisa? – Ouvi a voz de Erik, que merda ele tinha que aparecer logo agora?
- Não. – Disse me afastando de Leo e enxugando uma lágrima. Erik estava apoiado na porta comendo uma maçã e aquilo significava duas coisas: Ou ele estava ali há muito tempo ou tinha acabado de chegar e estava observando a cena (Eu e Leo).
- Olá Leo. – Disse Erik em um tom sarcástico.
- Olá Erik. – Respondeu Leo no mesmo tom. Que ótimo, só faltava ter uma briga aqui por causa de ciúmes.
- Preciso falar com você Esther em par-ti-cu-lar – Falou Erik evidenciando a palavra “particular”.
- Ok, já deu minha hora mesmo. – Disse Leo beijando minha bochecha e sussurrando “tchau” no meu ouvido. Revirei os olhos...  Essas brigas entre garotos são tão infantis.
- Tchau e até mais. – Disse enquanto Leo saia.
- Olá. – Falei para Erik  enquanto dava um gole na minha coca.- Olá, está com raiva? – Disse Erik me fitando com aqueles olhos.
- Não, porque estaria?- Respondi virando de costas para colocar a latinha no lixo.
- Porque, talvez, eu tenha atrapalhado um momento romântico muito esperado.- Falou ele cheio de sarcasmo.
- Ah não, ciúmes não...  – Falei.
- Vai dizer que não atrapalhei? – Disse ele com tom irônico mais uma vez.
- Erik me poupe. – Falei enquanto ia em direção a escada do meu quarto passando pela porta onde ele estava então quando estava quase subindo ele me puxa pelo braço.
- O que nós temos? O que nós somos? – Perguntou olhando para mim com aqueles belos pares de olhos castanhos enquanto uma mexa do seu cabelo caia sobre o olho.
- Me responda você. – Falei.
- Eu queria ser mais que um amigo, você sabe disso. – Respondeu ele diminuindo o pouco espaço que havia entre nós.
- Então faça isso acontecer.
- Como?
- Me conquiste. Me faça parar de pensar nele. Seja meus pensamentos, me faça rir, me faça chorar, me faça te querer, me faça te sentir. Me faça te amar.
- Não precisa pedir duas vezes. – E com um sorrisinho de lado o espaço entre nós acabou. E nos beijamos.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Lembranças

 


-Esther vamos tentar mais uma vez, ok?- Leo disse enquanto ia para trás de mim. Eu ainda conseguia ver a cara de todos, eles ainda estavam bastante assustados.
- Ok – Falei num sussurro fechando os olhos e senti a mão de Leo nos meus ombros e sussurrando falou: “Quero que pense em um campo florido e que tenha paz”  Imaginei um jardim parecido com aquele em que eu e Leo ficamos sozinhos pela primeira vez e sem nenhuma interrupção “Pronto. Agora pense em uma coisa boa com alguém que você queira estar” Ele só podia estar brincando porque ele sab “Foco Esther” ele falou num tom rígido. Então pensei em nós dois naquele banco e nos beijando, foi então que a magia entrou em mim e ela estava mais forte e me trazia uma sensação de conforto. “Ótimo Esther, agora imagine a moeda flutuando e direcione toda a sua magia para sua mão” Fiz isso, mentalizei a moeda e impulsionei a magia para a minha mão e então quando abri os olhos a moeda flutuava. Eu fiquei tão feliz que quase pulava em cima de Leo outra vez mas me controlei.
- Parabéns Esther – Liza me disse enquanto me abraçava.
- Parabéns Esther – Disse Sert de longe fumando um cigarro.
- Você ta louco? Não pode fumar aqui . – Falei impulsionando minha magia para o cigarro o que o fez levitar.
- Ok, olha as gracinhas, viu? – Sert falou pegando o cigarro de novo.
-  Ta bom – Falei rindo.
- Tem mais treinamento? – Disse animada.
- Não, só amanhã agora. – Disse Liza
- Ok. – Falei fazendo cara de triste.
- Ei tenho que ir – Disse Liza – Vou comprar algumas coisas lá pra casa ainda.
- Você mora sozinha? – Perguntei
- É sim... Tenho um dinheiro guardado então estou arrumando a casa ainda .
- Então você é emancipada – continuei o interrogatório.
- Sou sim... Sou livre – Disse rindo.
- Agora diga a ela como você conseguiu tudo isso. – Disse Sert.
- Vá a merda. – Liza resmungou
- Como você conseguiu? –Perguntei( sou má).
- Indução... Tive que usar um pouco
- Ah eu sabia, indução pode ser muito útil. – Conclui.
-Então tou indo. – Disse enquanto me abraçava mais uma vez. – Tchau para vocês
- Ei, espera que vou com você.  – Disse Sert indo atrás dela, eu tinha certeza que aqueles dois tinham alguma coisa.
- Então, quer uma coca-cola? – Perguntei a Leo. – Quer dizer, anjos bebem alguma coisa?
- Bebem sim – E com isso entramos para dentro de casa. E ele sentado na cadeira perto do balcão de mármore ficava me observando, o que me deixava sem graça, peguei duas latas de coca e me sentei em outra cadeira do balcão de frente a ele.
- Toma – Falei enquanto entregava a lata de coca.
- Então, acho que temos que conversar. – Falou ele abrindo a lata e tomando um gole.
- Sobre o quê? – Perguntei.
- Seus pensamentos. – Ai, merda.. Agora eu estava ferrada. Bebi um gole enorme de coca, tomei coragem e disse:
- O que quer saber exatamente?
- O que você acha? – falou ele voltando aqueles belos olhos azuis para mim e colocando um sorrisinho de lado.
                        
                   Liza:

- Ei, espera que vou com você.  – Escutei a voz de Sert atrás de mim. Que inferno, será que eu nunca ia me livrar dele?
- O que você quer? – Perguntei olhando para ele.
- Você sabe o que quero. – Ele estava totalmente lindo, usava um pouco de lápis( o que dava uma aparência meio suja), uma mecha de cabelo estava perto do seu rosto e sorria de lado. Eu tinha que parar de pensar o quanto charmoso ele era.
- Vá para o inferno – Falei andando para disfarça o vermelho que cobriu meu rosto.
- Eu adoro quando faz isso... Tenta disfarçar andando – Falou ele do meu lado. Não consegui controlar o riso, lembrei de todas as vezes que tentava disfarçar e ele sempre percebia. Quando o vi pela primeira vez ele estava com uma turma de amigos e saiu de perto deles para vim falar comigo, eu não esperava essa atitude porque na escola onde estudávamos todo mundo me evitava.
- Pelo menos consegui um sorriso teu – Falou ele sorrindo. – O que aconteceu? Porque me evita tanto?
- Você sabe muito bem o que aconteceu. – Falei rispidamente lembrando o quão mal ele me fez.
- Ei me desculpa, Deus não ensinou isso que todos temos que perdoar. – Falou ele enquanto parava bem na minha frente e estávamos bem perto. Tão perto que podia sentir sua respiração e então me lembrei das tardes que ficávamos assim: Só eu e ele.
- Não coloque Deus no meio disso. – Falei num sussurro.
- Me perdoa vai bruxinha. – Vi que seus olhos fecharam e seu corpo se inclinou para perto do meu.
- Perdoar posso até perdoar mas esquecer? Nunca. – Falei me afastando e correndo para bem longe dali. E sentei no primeiro banco que encontrei e desabei ali em lágrimas.