Sert:
E eu a vi correr como sempre faz quando está com medo. Eu
conhecia bem aquela garota e nunca quis fazer mal a ela mas acho que acabei
fazendo no final das contas. Mas será que não merecia um perdão? Eu quase morri
por ela. Quase morri. Enquanto andava lembrei-me
da primeira vez que conversamos, Liza estava tão linda, sempre de gótica, mas
linda e usava aqueles terços que me deixava fascinado na época (e ainda me
deixam hoje em dia, mas não me pergunte por que)
- Sert?- Escutei
alguém me chamar e quando olhei para trás vi uma mulher, mas não era qualquer
mulher, era uma mulher muito sexy, tinha cabelos vermelhos e longos com
cacheados na ponta, olhos verdes com um pouco de delineador e sua boca estava com um batom bem vermelho,
usava uma calça bem colada com uma blusa que deixava boa parte dos seus seios á
mostra e que só ia cobria metade da
barriga. Como eu posso ter esquecido que conhecia uma mulher dessas? Só podia
ser muito louco mesmo.
- Sim, sou eu. – Disse enquanto me aproximava, ela estava
debaixo de um poste perto de uma quadra de basquete sendo que era quase de
noite e ficando mais próximo dela
percebi que fumava.
- Quer um?- Falou enquanto andava na minha direção me
fitando com aqueles belos olhos.
- Sim, obrigado. – Respondi, fazia tempo que não fumava e estava precisando. – Te conheço de onde?
- Ah você não me conhece ainda.
- Ok, então qual é seu nome?
- Alessandra.
Esther:
- O que você acha? - Falou ele voltando àqueles belos olhos
azuis para mim e colocando um sorrisinho de lado.
- Eu não sei Leo. – Respondi olhando para latinha de coca e
querendo fugir dali, eu sabia muito bem o que ele queria falar, mas era tão
vergonhoso e então ele segurou minha mão.
- Eu sei que você sofre, eu sinto. Mesmo que talvez você nem
perceba. Olhe para mim. – Olhei para aqueles olhos cheios de compaixão,
compaixão que não encontraria em nenhuma pessoa, por isso ele era um anjo, era
sua função ser uma das mais belas criaturas.
- Me perdoe... Eu não queria pensar assim. – Disse deixando
uma lágrima cair.
- Oh pequena não faz assim. – Então ele se levantou e me
abraçou. O mundo podia cair naquele momento que não sentiria, nos seus braços
me sentia protegida, me sentia especial então me lembrava que nunca poderia ter
ele para mim. Era impossível. Ele era um anjo e eu apenas uma humana, uma
humana bruxa, mas mesmo assim apenas uma humana. Eu não duraria muito e ele
duraria para sempre.
- Estou atrapalhando alguma coisa? – Ouvi a voz de Erik, que
merda ele tinha que aparecer logo agora?
- Não. – Disse me afastando de Leo e enxugando uma lágrima.
Erik estava apoiado na porta comendo uma maçã e aquilo significava duas coisas:
Ou ele estava ali há muito tempo ou tinha acabado de chegar e estava observando
a cena (Eu e Leo).
- Olá Leo. – Disse Erik em um tom sarcástico.
- Olá Erik. – Respondeu Leo no mesmo tom. Que ótimo, só
faltava ter uma briga aqui por causa de ciúmes.
- Preciso falar com você Esther em par-ti-cu-lar – Falou
Erik evidenciando a palavra “particular”.
- Ok, já deu minha hora mesmo. – Disse Leo beijando minha
bochecha e sussurrando “tchau” no meu ouvido. Revirei os olhos... Essas brigas entre garotos são tão infantis.
- Tchau e até mais. – Disse enquanto Leo saia.
- Olá. – Falei para Erik
enquanto dava um gole na minha coca.- Olá, está com raiva? – Disse Erik
me fitando com aqueles olhos.
- Não, porque estaria?- Respondi virando de costas para
colocar a latinha no lixo.
- Porque, talvez, eu tenha atrapalhado um momento romântico
muito esperado.- Falou ele cheio de sarcasmo.
- Ah não, ciúmes não...
– Falei.
- Vai dizer que não atrapalhei? – Disse ele com tom irônico
mais uma vez.
- Erik me poupe. – Falei enquanto ia em direção a escada do
meu quarto passando pela porta onde ele estava então quando estava quase
subindo ele me puxa pelo braço.
- O que nós temos? O que nós somos? – Perguntou olhando para
mim com aqueles belos pares de olhos castanhos enquanto uma mexa do seu cabelo
caia sobre o olho.
- Me responda você. – Falei.
- Eu queria ser mais que um amigo, você sabe disso. –
Respondeu ele diminuindo o pouco espaço que havia entre nós.
- Então faça isso acontecer.
- Como?
- Me conquiste. Me faça parar de pensar nele. Seja meus
pensamentos, me faça rir, me faça chorar, me faça te querer, me faça te sentir.
Me faça te amar.
- Não precisa pedir duas vezes. – E com um sorrisinho de
lado o espaço entre nós acabou. E nos beijamos.
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