- Huuuuum... Interessante.... Querida, é assim como sua mãe
te chama , né? – Olhei nos olhos de Esther até que finalmente ela desmaiou. O
impressionante é que esse feitiço raramente demora em seres humanos.
- O que você fez? – Escuto Leo falando e correndo em direção
de Esther. – Sua louca, o que estava pensando?
- Para de melodrama -
Falei enquanto via ele levantando aquela meninazinha – Você sabe muito bem que
ela só dormiu e que vai acordar depois de duas horas.
- Nós deveríamos protegê-la. – Ele falou enquanto a raiva
fazia com que sua aura se escurecesse enquanto seus olhos começavam a se tornar
negros. – Nós deveríamos protegê-la
Seu corpo já estava rígido e sua voz engroçava enquanto que
sua reação parecia agressiva.
- Você não vai querer briga, Leonardo. – Falei enquanto a
força do meu corpo aumentava e me sentia como a transformação tivesse começado,
podia sentir meus cabelos flutuando – Tenho certeza que você não quer causar
uma confusão tão perto da casa da sua mãe, quer dizer, sua monitora.
- Saia daqui Alessandra antes que eu me descontrole.
- Ok, boa sorte com essa garotinha e fala que eu mandei um
beijo quando ela acordar. – Falando isso automaticamente imaginei onde queria
estar e fui para lá.
París a capital do amor. Humanos podem ser tão idiotas,
classificar cidades assim... Até que ela não é ruim, mas não vim aqui para
turismo. Tou cansada de ter que proteger garotas inocentes, isso cansa, sua
“vida” vira um saco. Mas bem que se não fosse por elas nem na terra eu estaria,
porém é bom quebrar as regras de vez em quando.
Não quero me envolver numa guerra de novo por causa de uma
fedelha. Principalmente essa Esther que é uma pateta... Acha que a vida dela é
horrível sendo que já vi muitas outras piores, e, além disso, ela está de olho
no meu companheiro. Pena que ela não sabe que é impossível, e aquele lesado do
Leonardo ainda dá motivos para aquela boba se apaixonar. Eu o amo, mas ele é
muito da paz, correto e não gosta de nenhuma aventura. Minha passagem por aqui
está um saco.
- Alessandra? – Ouvi a voz dele quando finalmente nos
encontramos.
-Erik?
- Anjos não deviam circular por aqui e você sabe disso. –
Falou ele me beijando de leve nos lábios.
Adorava aquela sensação de errado. E isso é viciante, se Leo
podia ter um caso por fora eu também podia. Mas bem que ele não podia
propriamente dizendo, porque se ele se envolvesse com um mortal as
conseqüências seriam terríveis e logo seria descoberto. Pois quando um anjo se
envolve com um mortal( pior ainda se ele for seu protegido) uma marca surge e isso o acusa rapidamente. Mas comigo
é diferente, eu estou envolvida com outro imortal e mesmo que ele seja, como
podemos falar? “Do mal” como dizem, ele ainda é um imortal e isso dificulta
muito a descoberta.
- Huum.. O que você quer?- Erik me perguntou.
- Lembro que você me falou que se eu te ajudasse a conseguir
seu objetivo com Esther, você conseguiria várias vantagens com seu chefe. –
Queria saber sobre todos os acordos.
- Mas isso poderia causar a sua queda. – Ele falou sentando
na cadeira. – Mas se fizer do jeito que tiver que ser feito, talvez você
continue do jeito que está ou consiga até uma promoção.
- Interessante, então trato feito. Ela será de vocês
- Ótimo.- falou ele enquanto me fitava.- Você fez uma
escolha e não poderá voltar atrás. Nós vamos ter que conseguir a..
- Não fale isso alto, esqueceu que o céu tem olhos?
Esther:
- Eu não posso – Leo falou afastando o rosto.
- Não pode o quê? – Falei disfarçando olhando para frente e
completamente sem graça me levantei e fui para cozinha. Não sei o que aconteceu,
mas uma coisa era certa: quase nos beijamos. E ainda tinha Erik, não sei se nós
somos namorados, mas, mesmo assim, ainda fico mal em pensar em outro garoto.
Peguei um copo de água bem gelado para espantar aquela
sensação. De novo aconteceu, esqueci Erik quando estava com Leo e só fui pensar
nele agora... Preciso dormir. Fui à sala me despedir de Leo mas ele não estava
mais lá. Então fui para o quarto e apaguei.
“With the lights out it's less dangerous here
we are now entertain us”
Acordei atordoada e com muito sono. Fui tomar banho, vesti
uma blusa bem bonitinha com uma frase escrita: “I Love Rock N’ Roll” com as
cores da Inglaterra, peguei um short curto e uma bota sem salto e fiquei
esperando meu pai. Depois de quase uma hora escuto alguém apertando a campainha
e quando abro meu irmão Patrick de seis anos estava na porta não pensei duas
vezes e o abracei:
- Patrick! – Falei enquanto o abraçava muito e meus olhos
enchendo de lágrimas. Meu irmão é a coisa mais fofa que imaginar, ele parece um
bonequinho e ainda tem olhos bem azulzinhos e uma pele bem clarinha com as
bochechas rosadinhas.
- Têtê – Ele tentou pronunciar meu nome, mas não conseguia,
por isso eu tenho esse apelido: Têtê.
- E não vai falar com seu quase falecido pai? – Meu pai
estava na porta de braços abertos, então deixei meu irmão e abracei-o... Tá bom
que ele merecia uma surra por quase ter me matado do coração, mas eu estava
muito feliz para fazer isso agora.
- Quase falecido... Sei. Você quase matou a mim e a mamãe do
coração, isso sim. – A emoção tava tanta que eu nem percebi que eles estavam
levando malas também. – Pai você vai viajar também?
- Vou sim, quer dizer, vou me mudar.
- Pra onde?- Perguntei, será que eu ia ficar mais longe do
meu irmão?
-Pra sua cidade.
- O quê? – A felicidade estava completamente grande, eu mal
podia acreditar.
- E ainda tem mais, meu amor. Você sabe quem é Erik, né? –
Ele perguntou, mas logicamente eu sabia quem ele era. O garoto que eu tinha
beijado conhecia meu pai. - Ele me disse que te conhecia e pediu para te avisar
que ele também vai morar na sua cidade.
- Como assim pai?- Perguntei não acreditando
- Ele passou num teste do banco e vai trabalhar lá... Só sei
isso. Se quiser mais detalhes pergunte a ele.
Que maravilha, agora vou ter dois garotos que gosto perto.
Se eles quase me enlouqueceram em dois dias imagina o que eles podem fazer em 1
ano(ou mais). Inferno.
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