A viagem foi tranquila e sem muitos aborrecimentos, quer
dizer, tirando a parte que meu pai foi de primeira classe com meu irmão e me
deixou sozinha na outra classe do avião, tudo ocorreu bem. A maior parte do vôo fiquei pensando o quanto
minha vida ia se tornar uma verdadeira bagunça. Meus sentimentos são totalmente
misturados, tudo iria ficar tão fácil se Erik não fosse morar na minha cidade...
Mas eu não estava tão interessada assim em Leo( pelo menos eu acho) pois eu o
conheço a pouco tempo e estamos começando a ser amigos. Concluí que era isso que iríamos ser: Só amigos.
Cheguei em casa e a mesma cor caramelo estava lá( até que essa cor dava um charme a
mais na casa). Agora a porta da entrada havia sido trocada e não era mais branca e
frágil mas sim marrom e com uma aparência bem resistente, percebendo que eu
havia reparado meu pai falou:
- Eu mandei sua mãe trocar de porta pois a antiga era muito
frágil.
No mesmo instante minha mãe abriu a porta e me abraçou. Seus olhos azuis estavam alegres, aqueles
olhos eram os mais bonitos que já vi. Conseguiam ser mais azuis que o céu e
tinham uma doçura impressionante, meu pai costumava me dizer que aqueles eram o
motivo dele ter se apaixonado tão perdidamente por ela. Apesar do tempo ela
continuava linda, sua pele era só um pouco bronzeada e, apesar de ela estar
quase completando 40 anos, não conseguimos ver quase nenhuma ruga em seu rosto.
O sorriso dela é doce e terno e sem contar no corpo bem esculpido que ela
possui e olha que ela não pratica quase
nenhuma atividade esportiva.
O Estranho é que meu
pai é quase o contrário disso. Não estou dizendo que ele é feio mas,
sinceramente, ele não mereci( ou merecia) minha mãe... Ele possui olhos escuros
e sua pele é bem branca( daquelas pálidas mesmo) e tem um buchinho de cerveja,
o sorriso é um pouco bonitinho mas minha mãe sempre me disse que foi o charme
dele que a conquistou.
- Então você não vai mandar nós entrarmos? – Meu pai falou
sorrindo para minha mãe.
- Você sabe que pode entrar- Ela falou sorrindo de volta.
Ok, esse clima de romance era muito estranho.
Depois de tirar uma soneca, estava mexendo na internet
quando vi alguém bater na porta.
- Sabe porque a loira jogou água no seu computador?- Era
erik na porta com aquele seu jeito charmoso de sempre.
- Não, porque foi? – Falei me segurando para não me jogar
naqueles braços
- Porque ela queria navegar na internet .
- Seu besta. – Falei me jogando naqueles braços.
- Mas seu besta- Respondeu dando ênfase ao “seu” e depois me
puxando bem para perto me beijou, foi um beijo rápido mas intenso. – Então,
vamos sair?
- Não sei... Tenho aula amanhã de manhã, não sei se a minha
mãe deixaria...
- Eu já falei com ela. Essa decisão é totalmente sua.
- Pois então vamos. – Falei enquanto o beijava mais uma vez.
Fomos ao cinema e depois paramos em um restaurante.
- Vou pedir um vinho para nós. – Ele falou chamando o
garçom.
- Mas eu não bebo, esqueceu? Sou de menor.
- Mas para a maioria dos adolescentes ser de menor não é um
problema. – Falou ele com um sorisinho de lado que me deixou irritada.
- Mas eu também não gosto. – Falei com raiva.
- Só uma taça, se não gostar você pode trocar por outra
bebida. – Falou ele acariciando meu rosto.
- Ok, mas só dessa vez, tá? – Falei sorrindo.
- Claro.
Quando chegou o vinho ele me serviu e até que não era tão
ruim assim... Quando fui colocar mas uma taça ele me parou.
- Que foi? – Perguntei, sem entender o que estava
acontecendo.
- Você disse uma taça.
- Não você que se eu não gostasse aí sim seria só uma taça
mas não é isso que ta acontecendo.
- Mas você não gosta de beber, lembra?
- Não gosto de beber outras bebidas alcoólicas mas essa eu
gostei e então tenho direito a mais uma taça.
- Garçom? – Chamou ele.
- O que vai fazer?- Perguntei sem entender.
- Sim senhor- O garçom falou
- Leve esse vinho e fico com ele para você e traga uma coca
por favor.
- Lógico, obrigado senhor. -
Claro que o garçom saiu muito feliz da mesa, já que aquele vinho custava
quase um mês de salário dele. E foi aí que lembrei o quanto Erik tinha dinheiro pois ele com 21 anos já havia
arrumado um emprego em um banco mega reconhecido e o salário dele não era uma
coisa pequena. E isso é entendível pelo quanto inteligente aquele garoto era.
- Porque você fez isso? – Perguntei incrédula.
- Porque você não iria beber mais que uma taça. – Falou ele
- Eu te odeio – respondi.
- Odeia nada- Disse
ele segurando minha mão.
Cheguei em casa morta de cansada e fui direto pro banheiro
quando meu telefone toca:
- Oi Esther
- O-Oi Alessandra - Falei sem enternder porque ela me ligava aquela hora. - Aconteceu alguma coisa?
- Amanhã você vai para a escola?- Vou sim, porque?- Respondi
- Nada não, amanhã a gente se fala.Tchau.
-Tchau - Desliguei o telefone sem entender absolutamente nada.

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