sábado, 18 de fevereiro de 2012

Surpresas




A aula como imaginei foi um verdadeiro saco, Liza fazia muita falta e eu era uma retardada por não perceber antes que Leo havia mudado de sala. Eu sou uma antissocial de primeira linha, talvez o fato de ter brigado com Alessandra, que era bem popular, possa ter influenciado há não ter mais nenhuma amizade, mas quer saber? Eu não ligo, posso me virar sozinha mesmo. Na saída perto do estacionamento vejo um carro, mas não era um carro como todos os outros que estavam lá, ele era prata, tinha um toque de realiza, parecia àqueles carros tirados de filmes, grande, mas nem tanto e com vários detalhes em prata como seu símbolo e ainda possuía um teto solar, seus vidros eram fumês, ou seja, não dava para saber quem estava lá dentro. E aquilo virou uma atração na escola, quase todos os alunos ficaram parados fazendo mini círculos ao redor e cochichando sem parar, até eu, que não sou muito de ter esse tipo de comportamento, estava babando por aquele veículo.

- Então, vai entrar?- Perguntou o dono do carro, abaixando o vidro e sorrindo para mim, então eu vi uma comoção geral, ninguém acreditava que ele estava falando comigo e nem eu mesma acreditei. – O que foi Esther? – Quando ouvi meu nome olhei direito para quem estava dirigindo aquela alegoria( porque aquele carro estava chamando mais atenção do que uma escola de samba) e quando me dei conta de quem era, gelei no mesmo instante.

- Erik?- Falei praticamente com a boca aberta, ele estava completamente lindo, era como sua beleza se destacasse mais do que o carro, no qual a competição era muito difícil.  Então parece que todo mundo olhou também para quem estava dentro do carro, e outra comoção se iniciou e dessa vez vi muito mais a reação das meninas, porém era óbvio que isto aconteceria, pois Erik não é e nunca será de se jogar fora, ao contrário, ele era o tipo de garoto que se apresentava a sua mãe e ao mesmo tempo matava suas amigas de inveja.

- Você não me reconhece mais? – Falou abrindo um sorriso enorme, eu pude jurar que vi alguém suspirando atrás de mim, ok, isso estava ficando muito estranho. Era como se eu estivesse num daqueles besteiróis americanos. Mas onde Erik queria chegar com esse exibicionismo todo? Então ele saiu do carro e ainda sorrindo pegou minha mochila enquanto eu continuava em choque. Ele realmente estava bonito, usava uma blusa verde um pouco solta e com um caimento perfeito que destacava seu belo físico, uma calça skinny que mostrava o quanto ele era bem dotado e como sua malhação estava em dia e um sapato discreto, seu cabelo caia um pouco sobre o rosto dando-lhe um charme a mais.

- Você está bem? – Perguntou ele interrompendo meu transe.

- Si-im. – Consegui dizer recuperando meu fôlego e dando-lhe um sorriso.

- Que bom, por um momento achei que você teria um infarto. – Disse beijando minha testa. – Tenho uma surpresa para você.

- Mais? – Perguntei, não será que já era demais o que acabei de passar?

- Sim, mais... Sempre mais para você. – Falou ele enquanto nossa pequena conversa virava assunto nacional, não desconfio nada se alguém vier me entrevistar amanhã.

-Ok, pode parar com suas frases feitas. – Falei para ele indo para o carro, enquanto via a 
cara de susto de todos, principalmente das desocupadas e sem macho que estavam lá, quando dei as costas para ele e fui direto para o carro. Não sei o que estava me deixando irritada, mas tenho quase certeza que era aquele exibicionismo desnecessário.

- Desculpe. – O ouvi sussurrar enquanto me acompanhava. Realmente aquele carro era impressionante e parecia mais majestoso ainda quando se chegava mais perto, desmentindo o que disse antes, aquele carro era com certeza enorme. Então percebi que estava sendo uma idiota com Erik, afinal ele não havia feito nada, só vindo me buscar com um carro, mesmo não sendo um carro normal era só um carro. Então enquanto estava parada pensando nisso e olhando aquele veículo, Erik passou por mim e abriu a porta do carona e soltou um sorrisinho tímido e medroso que me fez sentir pior do que já estava.

- Hum... Erik- Falei me aproximando mais dele.

- Sim? – Disse com uns olhos de cachorro abandonado, o que ficava muito bonitinho nele.

- Obrigada. – Falei chegando mais perto e colocando meus braços em volta do seu pescoço e lhe dando um beijo rápido.

- Você é muito bipolar, sabia?-  Falou afagando minha orelha com seus lábios e pressionando um pouco minha cintura.

- Eu sei. – Falei desfazendo o abraço e entrando no carro. Se estava impressionada com o carro pelo lado de fora, dentro é mais assustador, tudo era feito de couro e havia aparelhos de DVD, lâmpadas fluorescentes, mini bar, além de que, a maioria das coisas lá dentro funcionava a base de touch screem.

- Tenho até tempo até 14h porque hoje tem treino. – Falei quando ele entrou sentou no banco do motorista.

- Sério?

- Seríssimo.

- Isso é um inferno, sabia?

- Não, isso é o mundo. – Falei sorrindo.

Passamos o resto do passeio de carro em silêncio e aquilo me incomodava um pouco, não é que não gostasse do silêncio, mas ali estava em um clima bem tenso. Chegamos no Label Restaurant, aquilo era um dos restaurantes mais caros da cidade parecia que até respirar lá dentro tinha um custo. Quando entramos foi como imaginei, mesas em fileiras decoradas com seda de cor vinho, taças e varias colheres e facas em cima delas, garçons devidamente fardados e um anfitrião muito simpático que nos conduziu a nossa mesa. Onde sentaríamos era um lugar afastado de todos e que possuía até um tipo de cortina para nos dá intimidade. Aquilo estava muito doido, muito mesmo, me sentia como se fosse ser pedida em casamento a qualquer hora.

- Você não gostou do restaurante?- Perguntou Erik com uma cara de cachorro abandonado quando sentamos.

- Não é que não gostei, o problema é que isso aqui é formal demais e... espera. Você vai me pedir em casamento?- Falei com cara de assustada. Erik começou a rir de mim – Ok, isso não teve graça- Falei fazendo biquinho.

- Quem disse?- Falou ele rindo novamente. – Não, eu não vou te pedir em casamento, eu vim, na verdade, terminar o nosso namoro.

- Como é? Você vai me buscar com aquele carro na escola, chama atenção de todo mundo, faz um mini circo para todos nos notarem, me leva a um restaurante onde uma refeição custa quase o meu closet todo, você faz tudo isso para me dar o fora? É isso mesmo, ou estou me drogando e imaginando coisas? – Falei contrariada.

E ele começou a rir da minha cara de novo.

- Você está vendo alguma palhaça aqui?

- Não. – Respondeu ainda rindo.

- Ah, vá pro inferno. – Falei me levantando para ir embora.

E senti que ele puxou meu braço numa força em que acabamos um bem perto do outro.

- Eu estou terminando por você, quero que esteja segura quando formos namorar mesmo, quero te conquistar, quero que pensem em mim. Quero dormir tranquilo sabendo que está dormindo tranquila também, pois sei o quanto sofre pensando que está traindo-me porque está comigo e pensando noutro cara, e é por isso que estou terminando tudo.

- Porque você tem que ser tão perfeito? Sinto-me um lixo perto de ti... – Disse praticamente com raiva de mim mesma, queria me obrigar a gostar dele, e só dele. Coração porque você não pode me obedecer? Inferno, eu achando que teria uma vida fácil... Porque eu fui pedir para me apaixonar mesmo?

  - Eu não sou perfeito, só estou apaixonado.

- E as mina pira no romantismo. – Falei rindo.

- Só você mesmo para acabar com o clima romântico.

- Eu sei, sempre faço isso.

- Posso te beijar?

- Não deveria nem ter pedido. – Então seus braços envolveram minha cintura e nossos lábios 
encostaram, foi quando ouvi alguém gritando meu nome.

-Esther? Cadê você? – Ouvi a voz de Leo praticamente gritando no restaurante, então sai do abraço de Erik e fui atrás de Leo.

- Você está louco? – Perguntei vendo-o desesperado.

- Aconteceu uma coisa muito grave.

- O quê?

- Liza.

- O que tem Liza? – Perguntei começando a me preocupar.

- Está no hospital. - Respondeu Leo.

- Como assim? O que houve? Responde-me Leo.

- Ela.. ela.. se cortou e acabou fazendo um sangramento enorme, ela cortou uma veia importante e perdeu muito sangue.

- Ai Meu Deus.

- Ela está em estado grave, talvez corra risco de morte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário