A aula como imaginei foi um verdadeiro saco, Liza fazia
muita falta e eu era uma retardada por não perceber antes que Leo havia mudado
de sala. Eu sou uma antissocial de primeira linha, talvez o fato de ter brigado
com Alessandra, que era bem popular, possa ter influenciado há não ter mais
nenhuma amizade, mas quer saber? Eu não ligo, posso me virar sozinha mesmo. Na
saída perto do estacionamento vejo um carro, mas não era um carro como todos os
outros que estavam lá, ele era prata, tinha um toque de realiza, parecia àqueles
carros tirados de filmes, grande, mas nem tanto e com vários detalhes em prata
como seu símbolo e ainda possuía um teto solar, seus vidros eram fumês, ou
seja, não dava para saber quem estava lá dentro. E aquilo virou uma atração na
escola, quase todos os alunos ficaram parados fazendo mini círculos ao redor e
cochichando sem parar, até eu, que não sou muito de ter esse tipo de
comportamento, estava babando por aquele veículo.
- Então, vai entrar?- Perguntou o dono do carro,
abaixando o vidro e sorrindo para mim, então eu vi uma comoção geral, ninguém
acreditava que ele estava falando comigo e nem eu mesma acreditei. – O que foi
Esther? – Quando ouvi meu nome olhei direito para quem estava dirigindo aquela
alegoria( porque aquele carro estava chamando mais atenção do que uma escola de
samba) e quando me dei conta de quem era, gelei no mesmo instante.
- Erik?- Falei praticamente com a boca aberta, ele estava
completamente lindo, era como sua beleza se destacasse mais do que o carro, no
qual a competição era muito difícil. Então parece que todo mundo olhou também para
quem estava dentro do carro, e outra comoção se iniciou e dessa vez vi muito
mais a reação das meninas, porém era óbvio que isto aconteceria, pois Erik não
é e nunca será de se jogar fora, ao contrário, ele era o tipo de garoto que se
apresentava a sua mãe e ao mesmo tempo matava suas amigas de inveja.
- Você não me reconhece mais? – Falou abrindo um sorriso
enorme, eu pude jurar que vi alguém suspirando atrás de mim, ok, isso estava
ficando muito estranho. Era como se eu estivesse num daqueles besteiróis
americanos. Mas onde Erik queria chegar com esse exibicionismo todo? Então ele
saiu do carro e ainda sorrindo pegou minha mochila enquanto eu continuava em
choque. Ele realmente estava bonito, usava uma blusa verde um pouco solta e com
um caimento perfeito que destacava seu belo físico, uma calça skinny que
mostrava o quanto ele era bem dotado e como sua malhação estava em dia e um
sapato discreto, seu cabelo caia um pouco sobre o rosto dando-lhe um charme a
mais.
- Você está bem? – Perguntou ele interrompendo meu
transe.
- Si-im. – Consegui dizer recuperando meu fôlego e
dando-lhe um sorriso.
- Que bom, por um momento achei que você teria um
infarto. – Disse beijando minha testa. – Tenho uma surpresa para você.
- Mais? – Perguntei, não será que já era demais o que
acabei de passar?
- Sim, mais... Sempre mais para você. – Falou ele
enquanto nossa pequena conversa virava assunto nacional, não desconfio nada se
alguém vier me entrevistar amanhã.
-Ok, pode parar com suas frases feitas. – Falei para ele
indo para o carro, enquanto via a
cara de susto de todos, principalmente das
desocupadas e sem macho que estavam lá, quando dei as costas para ele e fui
direto para o carro. Não sei o que estava me deixando irritada, mas tenho quase
certeza que era aquele exibicionismo desnecessário.
- Desculpe. – O ouvi sussurrar enquanto me acompanhava.
Realmente aquele carro era impressionante e parecia mais majestoso ainda quando
se chegava mais perto, desmentindo o que disse antes, aquele carro era com
certeza enorme. Então percebi que estava sendo uma idiota com Erik, afinal ele
não havia feito nada, só vindo me buscar com um carro, mesmo não sendo um carro
normal era só um carro. Então enquanto estava parada pensando nisso e olhando
aquele veículo, Erik passou por mim e abriu a porta do carona e soltou um
sorrisinho tímido e medroso que me fez sentir pior do que já estava.
- Hum... Erik- Falei me aproximando mais dele.
- Sim? – Disse com uns olhos de cachorro abandonado, o
que ficava muito bonitinho nele.
- Obrigada. – Falei chegando mais perto e colocando meus
braços em volta do seu pescoço e lhe dando um beijo rápido.
- Você é muito bipolar, sabia?- Falou afagando minha orelha com seus lábios e
pressionando um pouco minha cintura.
- Eu sei. – Falei desfazendo o abraço e entrando no
carro. Se estava impressionada com o carro pelo lado de fora, dentro é mais
assustador, tudo era feito de couro e havia aparelhos de DVD, lâmpadas
fluorescentes, mini bar, além de que, a maioria das coisas lá dentro funcionava
a base de touch screem.
- Tenho até tempo até 14h porque hoje tem treino. – Falei
quando ele entrou sentou no banco do motorista.
- Sério?
- Seríssimo.
- Isso é um inferno, sabia?
- Não, isso é o mundo. – Falei sorrindo.
Passamos o resto do passeio de carro em silêncio e aquilo
me incomodava um pouco, não é que não gostasse do silêncio, mas ali estava em
um clima bem tenso. Chegamos no Label Restaurant, aquilo era um dos
restaurantes mais caros da cidade parecia que até respirar lá dentro tinha um
custo. Quando entramos foi como imaginei, mesas em fileiras decoradas com seda
de cor vinho, taças e varias colheres e facas em cima delas, garçons
devidamente fardados e um anfitrião muito simpático que nos conduziu a nossa
mesa. Onde sentaríamos era um lugar afastado de todos e que possuía até um tipo
de cortina para nos dá intimidade. Aquilo estava muito doido, muito mesmo, me
sentia como se fosse ser pedida em casamento a qualquer hora.
- Você não gostou do restaurante?- Perguntou Erik com uma
cara de cachorro abandonado quando sentamos.
- Não é que não gostei, o problema é que isso aqui é
formal demais e... espera. Você vai me pedir em casamento?- Falei com cara de
assustada. Erik começou a rir de mim – Ok, isso não teve graça- Falei fazendo
biquinho.
- Quem disse?- Falou ele rindo novamente. – Não, eu não
vou te pedir em casamento, eu vim, na verdade, terminar o nosso namoro.
- Como é? Você vai me buscar com aquele carro na escola,
chama atenção de todo mundo, faz um mini circo para todos nos notarem, me leva
a um restaurante onde uma refeição custa quase o meu closet todo, você faz tudo
isso para me dar o fora? É isso mesmo, ou estou me drogando e imaginando
coisas? – Falei contrariada.
E ele começou a rir da minha cara de novo.
- Você está vendo alguma palhaça aqui?
- Não. – Respondeu ainda rindo.
- Ah, vá pro inferno. – Falei me levantando para ir
embora.
E senti que ele puxou meu braço numa força em que
acabamos um bem perto do outro.
- Eu estou terminando por você, quero que esteja segura
quando formos namorar mesmo, quero te conquistar, quero que pensem em mim.
Quero dormir tranquilo sabendo que está dormindo tranquila também, pois sei o
quanto sofre pensando que está traindo-me porque está comigo e pensando noutro
cara, e é por isso que estou terminando tudo.
- Porque você tem que ser tão perfeito? Sinto-me um lixo
perto de ti... – Disse praticamente com raiva de mim mesma, queria me obrigar a
gostar dele, e só dele. Coração porque você não pode me obedecer? Inferno, eu
achando que teria uma vida fácil... Porque eu fui pedir para me apaixonar
mesmo?
- Eu não sou
perfeito, só estou apaixonado.
- E as mina pira no romantismo. – Falei rindo.
- Só você mesmo para acabar com o clima romântico.
- Eu sei, sempre faço isso.
- Posso te beijar?
- Não deveria nem ter pedido. – Então seus braços
envolveram minha cintura e nossos lábios
encostaram, foi quando ouvi alguém
gritando meu nome.
-Esther? Cadê você? – Ouvi a voz de Leo praticamente
gritando no restaurante, então sai do abraço de Erik e fui atrás de Leo.
- Você está louco? – Perguntei vendo-o desesperado.
- Aconteceu uma coisa muito grave.
- O quê?
- Liza.
- O que tem Liza? – Perguntei começando a me preocupar.
- Está no hospital. - Respondeu Leo.
- Como assim? O que houve? Responde-me Leo.
- Ela.. ela.. se cortou e acabou fazendo um sangramento
enorme, ela cortou uma veia importante e perdeu muito sangue.
- Ai Meu Deus.
- Ela está em estado grave, talvez corra risco de morte.
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