domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sentimento de perda



Dica: Leia esse capítulo escutando Hello ou My Immortal de Evanescence.



- Como é? – Perguntei já desesperada.
- Vai dar tudo certo. – Disse Erik me segurando pelos ombros.
- Podemos ir lá? – Falei com uma lágrima nos olhos.
- Sim, eu levo vocês. – Disse Erik se retirando. – Ah cuida dela Leo enquanto pego o carro.
- Claro. – Respondeu Leo, queria ter dito que não precisava de ninguém, porque não era nenhuma criancinha, porém estava fraca, não fisicamente, mas psicologicamente.
Então saímos e entramos na grande alegoria que Erik chamava de carro, passamos o tempo todo em silêncio. No caminho pensei em como Sert devia estar destruído, não sei o que aconteceu com eles, mas tenho medo que tenha influenciado nessa decisão de se cortar, que merda, ela havia se recuperado e agora estava no hospital correndo risco de vida.
- Chegamos- Disse Leo para Erik, eles pareciam estar dando uma pausa nas brigas e me ajudando. O hospital era enorme, e não havia filas e nem muitas pessoas, tudo parecia bem calmo, então deduzi que só podia ser particular.
Entramos e lá dentro era puro requinte, havia duas televisões grandes e de plasma, dois sofás brancos em frente a ela, uma mesinha com várias revistas e ao redor vários corredores que indicavam quantas salas tinham lá.
- Esther espera um pouco no sofá enquanto peço informações e pergunto se podemos entrar.- Falou Leo.
- Claro. – Respondi sentando no sofá.
- Ei vai dar tudo certo. – Falou Erik sentando do meu lado. Era bom ter alguém comigo, então coloquei a cabeça encostada em seu ombro e fiquei fitando o vazio.
- Vai dar tudo certo. – Continuou repetindo enquanto fazia carinho na minha cabeça.
- Pronto, podemos entrar. Sert já está lá dentro. – Disse Leo se aproximando.
- Já? E como ele está? – Perguntei limpando uma lágrima.
- Ele está bem, quer dizer, um pouco destruído emocionalmente.
- Eu imaginei. – Respondi por fim.
Ele disse que só podia entrar duas pessoas por vez, então Erik ficou e Leo me acompanhou. Os corredores eram brancos e vazios, era como se tudo ali aparentasse tristeza, raramente passava um médico por ali, irônico porque estávamos em um hospital. Então chegamos no quarto 777, o número onde Liza estava internada. Como imaginei a fachada desse quarto era igual aos das outras salas, pintura branca com uma porta da mesma cor e os número pintados de preto, uma pequena janela ao lado com uma cortina, o que deixava quase impossível ver quem estava dentro. Então respirei e bati na porta.
Sert a abriu e seus olhos estavam inchados e um pouco avermelhados, então não pensei em nada e só o abracei. E ficamos ali muito tempo, como se compreendêssemos a dor do outro, e eu sabia que a dor que Sert estava sofrendo era muito maior que a minha, então ele chorou. Foi um choro aterrorizado e que trazia uma dor infinita, meu coração doeu junto e não aguentei, chorei também. Ficamos uns 10 minutos abraçados.
- Como ela está? – Perguntei quando nos soltamos.
- Não sei. – Ele respondeu com uma voz trêmula e com outra lágrima se formando.
- Sert vamos deixa-la aí e venha comigo tomar alguma coisa, respirar. – Leo disse para Sert, com uma misericórdia própria dos anjos.
- Não posso deixar Liza. Ela está assim por culpa minha, eu não deveria ter voltado, eu que deveria estar nessa cama de hospital e não ela.
- Não fale assim, você sabe que não teve culpa. – Disse Leo. – Vamos, vai ser melhor, dê um tempo para Esther.
Então Sert olhou para mim e fez um aceno com a cabeça e saiu. Continuei olhando para porta sem ter coragem de me virar. Minha amiga estava ali atrás de mim, inconsciente, quase sem vida e não tinha como fazer nada para ajudá-la.
Respirei pela décima vez e me virei. Seus olhos estavam um pouco arroxeados, sua pele estava muito pálida, sem nenhuma cor, sem nenhuma vida, seus lábios estavam com um leve ressecado, ela estava vestida com um vestido branco rendado, simples, mas lindo. Os terços não estavam mais nos seus pulsos, invés deles estavam vários curativos e um soro na parte da frente da mão, mas os terços continuavam nela, estava nas duas mãos como se ela estivesse segurando e no seu pescoço, ela respirava pouco e esse era o único sinal de que ainda estava viva. Seus cabelos caiam sobre o vestido e pareciam mais negros do que antes, talvez fosse por conta da sua palidez. Liza estava com uma aparência calma e serena, ela parecia um anjo.
Eu queria abraça-la, queria pedir perdão por ter gritado com ela no treino, mas na verdade queria que ela se levantasse e voltasse a ser o que era antes.
- Liza me perdoa. – Disse beijando sua testa e segurando sua mão. – Me desculpe por ter gritado com você, me desculpe por qualquer coisa que eu tenha feito, por favor se mantém forte. Você é especial, na verdade é minha única amiga agora. Sert está sofrendo tanto. Ele te ama, não sei o que aconteceu, mas ele te ama. Te ama muito. Vou rezar para você, isso mesmo, irei rezar, não só agora mas sempre, até que melhore. – Disse com o coração apertado. Então me sentei na cama e continuei olhando-a, ela parecia tão calma... Será que era isso que representava a morte? Ter calma? Ficar em paz? Nunca acreditei nisso mas em vê-la percebi que talvez fosse verdade.
Buum.                    
- aaaaaaah – Gritei quando ouvi um barulho e vi uma sombra do lado de fora do quarto. Na parte da janela que estava fechada com a cortina. Olhos vermelhos. Só isso que consegui captar.

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